Gritando "república já", espanhóis saem às ruas contra monarquia

Manifestações ocorreram após a abdicação do rei Juan Carlos para entregar o trono ao filho; a partir das 20h (15h, horário de Brasília), os centros das principais cidades do país foram tomados por simpatizantes da república e cidadãos que defendem o seu direito de escolher uma nova forma de governo

Manifestações ocorreram após a abdicação do rei Juan Carlos para entregar o trono ao filho; a partir das 20h (15h, horário de Brasília), os centros das principais cidades do país foram tomados por simpatizantes da república e cidadãos que defendem o seu direito de escolher uma nova forma de governo
Manifestações ocorreram após a abdicação do rei Juan Carlos para entregar o trono ao filho; a partir das 20h (15h, horário de Brasília), os centros das principais cidades do país foram tomados por simpatizantes da república e cidadãos que defendem o seu direito de escolher uma nova forma de governo (Foto: Roberta Namour)

Rafael Duque, do Opera Mundi - Milhares de espanhóis foram às ruas na noite desta segunda-feira (02/06) para reivindicar a realização de um referendo para decidir uma nova forma de governo para país. Horas após a abdicação do rei Juan Carlos, grupos republicanos começaram a organizar atos a favor de uma reforma política na Espanha pelas redes sociais. A partir das 20h (15h, horário de Brasília), os centros das principais cidades do país foram tomados por simpatizantes da república e cidadãos que defendem o seu direito de escolher uma nova forma de governo.

Em Madri, na Praça Porta do Sol, em frente à sede do governo da Comunidade Autônoma, a aglomeração de pessoas que participavam do ato era tanta que a reportagem de Opera Munditeve dificuldades para entrar no local, que depois foi tingido de vermelho, amarelo e roxo (cores da bandeira da Segunda República Espanhola). Entre os manifestantes era possível encontrar senhores de idades, crianças e famílias inteiras.

“Estou aqui para defender a república porque nos foi tirada à força em 1936. Queremos um referendo para que o povo possa decidir”, comentou Francisco Olmo, de 81 anos. O aposentado diz que foi à praça central de Madri para resgatar o que os irmãos dele defenderam até a morte durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando as tropas lideradas por Francisco Franco derrotaram o exército da Segunda República Espanhola.

Entre as diversas reivindicações, a que mais se repetia entre os manifestantes entrevistados por Opera Mundi era a demanda por mais democracia na escolha do chefe de Estado. “Eu considero que todos os cidadãos têm o direito de escolher os seus representantes. Não é por ser filho de alguém que uma pessoa tem o direito a um trono ou a uma presidência”, reclamou Javier García, de 54 anos.

O manifestante ainda afirma que o fim da monarquia deveria acontecer junto com uma mudança na maneira de fazer política no país. Assim como García, Asier Ríos, de 27 anos, também pensa que o momento da abdicação do monarca é propício para se repensar o sistema político espanhol. “Queremos uma república na qual o chefe de Estado seja escolhido democraticamente, um país mais democrático, mais plural e uma forma diferente de fazer política”, reivindica o jovem.

A insatisfação é tamanha que foi criado um abaixo-assinado a ser entregue para os partidos políticos do país pedindo a organização da consulta.

Crise de representação política

Esta insatisfação dos cidadãos em relação aos políticos atuais foi um dos principais temas das últimas eleições europeias. Partidos que defendem o fim da hegemonia do PP (Partido Popular) e PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) obtiveram grande votação. No mesmo pleito, os dois principais partidos tiveram conjuntamente menos da metade dos votos totais, fato que ocorreu pela primeira vez desde 1982.

 

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