Hiroshima marca 75 anos da bomba atômica em cerimônia reduzida

A cidade disse que a importância do aniversário do bombardeio que matou 140.000 pessoas antes do final de 1945 havia motivado a decisão de realizar a cerimônia, apesar da disseminação do vírus, com rígidas medidas de precaução

Lista com nomes de mortos na guerra é entregue ao prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, por representante das famílias das vítimas da bomba atômica, no Parque da Paz Kyodo
Lista com nomes de mortos na guerra é entregue ao prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, por representante das famílias das vítimas da bomba atômica, no Parque da Paz Kyodo (Foto: REUTERS)
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TÓQUIO (Reuters) - Os sinos tocaram em Hiroshima, nesta quinta-feira, para o 75º aniversário do primeiro ataque com bomba atômica do mundo, com cerimônias reduzidas devido à pandemia de coronavírus e o prefeito da cidade fazendo um apelo para que as nações rejeitem o egoísmo nacionalista e se unam para enfrentar todas as ameaças.

Embora milhares de pessoas geralmente lotem o Parque da Paz, no centro da cidade japonesa, para rezar, cantar e oferecer origamis de papel como símbolos da paz, a entrada foi muito limitada e apenas sobreviventes e suas famílias puderam comparecer à cerimônia.

A cidade disse que a importância do aniversário do bombardeio que matou 140.000 pessoas antes do final de 1945 havia motivado a decisão de realizar a cerimônia, apesar da disseminação do vírus, com rígidas medidas de precaução.

“Em 6 de agosto de 1945, uma única bomba atômica destruiu nossa cidade. Rumores da época diziam que ‘nada cresceria aqui por 75 anos’”, disse o prefeito Kazumi Matsui.

“E mesmo assim, Hiroshima se recuperou e se tornou um símbolo da paz.”

Às 8h15, em 6 de agosto de 1945, o avião de guerra Enola Gay lançou a bomba, apelidada de “Little Boy” (menininho) e destruiu a cidade com população estimada em 350.000 pessoas. Milhares milhares de pessoas morreram posteriormente de ferimentos ou doenças relacionadas à radiação.

Na quinta-feira, enquanto as cigarras se agitavam no forte calor do verão, e o Sino da Paz ressoava, o público respeitou um momento de silêncio no instante exato em que a bomba explodiu.

“A pandemia de gripe de 1918, um século atrás, tirou dezenas de milhões de vidas e aterrorizou o mundo porque as nações que travavam a Primeira Guerra Mundial não conseguiram se reunir para enfrentar a ameaça juntas”, acrescentou Matsui.

“O crescimento subsequente do nacionalismo levou à Segunda Guerra Mundial e às bombas atômicas. Não podemos permitir que esse passado doloroso se repita. A sociedade civil precisa rejeitar o nacionalismo egocêntrico e se unir contra todas as ameaças.”

O primeiro-ministro Shinzo Abe compareceu à cerimônia, como normalmente faz, mas o número de visitantes estrangeiros foi menor. O público total foi reduzido a menos de um décimo do habitual, com cadeiras espaçadas e pessoas usando máscaras.

Matsui fez um apelo para que o Japão ratifique o pacto da Organização das Nações Unidas de 2017 banindo armas nucleares, mas Abe evitou qualquer referência direta, dizendo que o Japão precisa “ser uma ponte entre as nações” para abolir armas nucleares.

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