Irã critica "hipocrisia" ocidental em meio a relatos de expansão de usina nuclear em Israel

O ministro das Relações Exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif acusou as potências ocidentais de "hipocrisia" após relatos de que Israel está expandindo a sua instalação de produção de urânio enriquecido para armamento

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif (Foto: Paulo Emílio)
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Sputnik - O chanceler iraniano postou neste sábado (20) um tuíte referindo informações divulgadas pela mídia sobre novos trabalhos em andamento na instalação israelense de Dimona, localizada no deserto de Negev, o que enriquece o arsenal nuclear não oficial mas amplamente reconhecido de Israel.

Na sua postagem, ele questiona a AIEA, o presidente dos EUA Joe Biden, e os outros líderes dos países ocidentais participantes do acordo nuclear de 2015 com o Irã – o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o presidente francês Emanuel Macron e a chanceler alemã Angela Merkel – se eles não estão "preocupados" com o desenvolvimento.

Israel está expandindo Dimona, a única usina de bombas nucleares da região. Estão seriamente preocupados? Preocupados? Um pouco? Gostariam de comentar? Eu bem sabia.

No início desta semana, o Reino Unido, França, Alemanha e os EUA exigiram que o Irã cessasse o enriquecimento de urânio.

Em janeiro, o representante oficial do governo iraniano, Ali Rabiei, anunciou o início do processo de enriquecimento de urânio a 20% no complexo nuclear subterrâneo de Fordow, em consequência da aprovação pelo parlamento de uma lei que prevê a produção anual de, pelo menos, 120 quilos de urânio enriquecido a 20%. Este grau de enriquecimento é muito inferior ao nível de 90% necessário para as armas nucleares, mas superior ao utilizado na maioria dos reatores nucleares.

As autoridades iranianas expressaram esperança quanto à promessa eleitoral do democrata Joe Biden de fazer os EUA retornarem ao acordo nuclear com o Irã.

Conhecido como JCPOA, o acordo foi alcançado em 2015 após anos de intensas negociações entre o Irã, EUA, Rússia, China, Reino Unido, França, Alemanha e União Europeia, e estabeleceu o alívio das sanções a Teerã em troca de restrições ao seu programa nuclear.

Em 2018, a administração norte-americana de Donald Trump anunciou sua saída unilateral do JCPOA, alegando violação do acordo nuclear por parte do Irã, apesar de inspeções internacionais confirmarem o cumprimento por este país, e o retorno à política de "pressão máxima" contra a nação persa. Isso levou Teerã a aumentar gradualmente a produção de urânio enriquecido.

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