Itália faz greve geral contra reforma trabalhista

Duas das principais centrais sindicais da Itália convocaram para esta sexta-feira 12 uma greve geral de oito horas, em protesto contra o ritmo das reformas econômicas e sociais do governo de Matteo Renzi, implantadas com o objetivo de tirar o país da crise. Mais de 50 manifestações estão previstas em várias cidades italianas

Protesto organizado por sindicatos de funcionários públicos no centro de Roma. 8/11/2014. REUTERS/Remo Casilli
Protesto organizado por sindicatos de funcionários públicos no centro de Roma. 8/11/2014. REUTERS/Remo Casilli (Foto: Gisele Federicce)
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Da Agência Lusa

Duas das principais centrais sindicais da Itália convocaram para esta sexta-feira 12 uma greve geral de oito horas, em protesto contra o ritmo das reformas econômicas e sociais do governo de Matteo Renzi, implantadas com o objetivo de tirar o país da crise. Mais de 50 manifestações estão previstas para esta sexta-feira em várias cidades italianas.

A greve geral começou no início da manhã e foi convocada pela principal central sindical da Itália, a CGIL, de esquerda, e a terceira mais importante, a UIL, moderada.

Os transportes são o setor mais afetado pela greve, além de diversos serviços públicos. Dezenas de voos foram cancelados ou adiados nos principais aeroportos do país, os serviços nas três linhas de metrô da capital, Roma, estão suspensos e o restante do transporte urbano, em número reduzido, vai funcionar apenas nos horários de pico.

Para minimizar os efeitos da greve, Roma abriu o centro da cidade a todos os veículos, e não apenas aos que detêm autorização especial, como é a norma na capital.

O principal alvo dos protestos é a lei trabalhista do primeiro-ministro Matteo Renzi (socialista), aprovada pelo Parlamento na semana passada, e que, segundo os sindicatos, visando a encorajar contratações, facilita as demissões e reduz os direitos e a proteção dos trabalhadores nos primeiros anos de contrato.

Os sindicatos criticam igualmente o projeto de Orçamento do Estado para 2015, considerando insuficientes as medidas de recuperação da economia.

Desde que assumiu a chefia do governo, em fevereiro, Renzi mantém relações tensas com os sindicatos, ao eliminar ações de melhoria social em diversas áreas.

"O governo comete um erro ao eliminar a discussão e a participação" dos sindicatos na produção das leis, afirmou a secretária-geral da CGIL, Susanna Camusso. "O governo tem de escolher entre o conflito e o diálogo", acrescentou.

Na quinta-feira, ao comentar a paralisação para hoje, Renzi disse "respeitar muito" a greve geral, mas "não partilhar das suas motivações". Ele desejou "bom trabalho a quem fosse trabalhar e boa sorte a quem fizesse greve".

Em outubro e novembro, quando foi confrontado por várias greves, Renzi foi mais duro na reação, ao afirmar que "o tempo em que as manifestações bloqueavam o governo acabou" e que, "se os sindicalistas querem negociar, devem candidatar-se ao Parlamento".

Com a lei trabalhista aprovada, a greve geral de hoje, a primeira no governo de Renzi, terá apenas efeito simbólico.

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