Macri, o Temer argentino, sofre derrota estratégica em reforma

Por ignorância ou má-fé, a mídia brasileira "escondeu" a primeira grande derrota do governo Macri no legislativo; o "Temer argentino", na definição do jornalista Esmael Morais, não conseguiu aprovar a reforma tributária proposta por seu governo na Câmara dos Deputados

Mauricio Macri
Mauricio Macri (Foto: Charles Nisz)
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Blog do Esmael Morais - No mês passado, a mídia brasileira omitiu — ou por ignorância ou má-fé — a importância da eleição da ex-presidente Cristina Kirchner para o Senado. Pois bem, passados 18 dias, eis que o governo de Mauricio Macri, uma espécie de “Michel Temer da Argentina”, sofreu a primeira e estratégica derrota nesta quinta-feira (9) ao não conseguir aprovar a reforma tributária naquele país.

A coalizão Cambiemos (Vamos Mudar), de Macri, atribui a derrota a pressões das províncias produtoras de vinho, encabeçadas pelo governador de Mendoza, Alfredo Cornejo. Entretanto, na real política, trata-se do “Efeito Cristina” que teve o condão de organizar a oposição no Congresso Nacional.

O governo Macri é minoria no Congresso. Para aprovar medidas importantes precisa negociar muito, inclusive com Cristina Kirchner, por isso a coalizão governistas recuou na reforma tributária. (A ex-presidente assumirá o cargo daqui a um mês, dia 10 de dezembro).

Note o caríssimo leitor que a mídia portenha quer incutir nas mentes de los hermanos e dos latino-americanos a “derrota” do peronismo e a impossibilidade da volta de Cristina à Presidência. #SQN (Só que não). Esse alerta o Blog do Esmael havia dado em 23 de outubro último, quando da vitória da eleição vitoriosa da ex-presidente ao Senado.

Mas o verdadeiro teste para o “Temer dos Argentinos”, ou seja, de Macri, será a reforma trabalhista aos moldes dessa ocorrida no Brasil. O governo Cambiemos pretende desmantelar a Lei de Contrato de Trabalho, a CLT de los hermanos, que visa destruir a legislação peronista — equivalente a varguista — de proteção aos direitos dos trabalhadores ante a abusos dos patrões.

Tal qual ocorre no Brasil, a reforma trabalhista na Argentina também avança sobre o sindicalismo. A Central Geral dos Trabalhadores (CGT) do país vizinho promete derrubar o governo Macri, caso insista em atacar as conquistas dos trabalhadores.

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