Macron quer impor lei que discrimina muçulmanos na França

Com o pretexto de criar um chamado “Islã do Iluminismo”, o presidente da França, Emmanuel Macron, está propondo uma legislação que estigmatiza e discrimina os muçulmanos residentes no país

Emmanuel Macron
Emmanuel Macron (Foto: Twitter/Reprodução)
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247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, não fugiu à regra dos seus antecessores dos últimos 30 anos, que procuraram legislar sobre a gestão e a prática do culto muçulmano no país. Seu projeto de lei sobre os "separatismos", visa a um maior controle do Islã na França, como meio supostamente eficaz para combater a radicalização do islamismo político e o terrorismo. Por isso mesmo, esse projeto é motivo de controvérsias

Reportagem de O Globo aponta que a primeira investida oficial para estruturar o Islã na França, hoje a segunda religião do país, ocorreu em 1990, no governo de François Mitterrand. "Macron se situa na continuidade de políticas intervencionistas do Estado no culto muçulmano, diz o sociólogo Vincent Geisser, do Instituto de Pesquisas e Estudos sobre os Mundos Árabes e Muçulmanos (Ireman)".

Para a historiadora Valentine Zuber, diretora de pesquisas em religião e relações internacionais na Escola Prática de Altos Estudos e autora do recém-lançado ensaio “A laicidade em debate, além das ideias preconcebidas”, a expressão do presidente Emmanuel Macron “Islã do Iluminismo” denota uma cultura anticlerical do século XVIII, introduzida na Revolução Francesa, em um embate entre duas instituições rivais com pretensões políticas, o Estado e a Igreja Católica, vencido pelo primeiro com a lei de 1905.

A historiadora aponta um discurso islamofóbico “totalmente descomplexado” hoje na França, e uma laicidade que tem como objetivo combater a expressão religiosa muçulmana sob a cobertura de pensamentos universalistas.

Na opinião de Geisser, a expressão “Islã do Iluminismo”, se usada, deveria ser aplicada a todas as comunidades, não só à islâmica. 

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