Madri levou uma surra, diz Fernando Morais

"O abismo que passa a separar a Catalunha da Espanha, hoje muito mais do que antes. E, seguramente, muitos amigos meus considerados conservadores que poderiam ser chamados de direita, que conhecem, que vivem a situação na Espanha reconhecem o seguinte. O desastre na Espanha poderia ter sido muito menor, se nāo fosse a prepotência do Partido Popular e do seu Mariano Rajoy", diz o escritor e jornalista Fernando Morais

"O abismo que passa a separar a Catalunha da Espanha, hoje muito mais do que antes. E, seguramente, muitos amigos meus considerados conservadores que poderiam ser chamados de direita, que conhecem, que vivem a situação na Espanha reconhecem o seguinte. O desastre na Espanha poderia ter sido muito menor, se nāo fosse a prepotência do Partido Popular e do seu Mariano Rajoy", diz o escritor e jornalista Fernando Morais
"O abismo que passa a separar a Catalunha da Espanha, hoje muito mais do que antes. E, seguramente, muitos amigos meus considerados conservadores que poderiam ser chamados de direita, que conhecem, que vivem a situação na Espanha reconhecem o seguinte. O desastre na Espanha poderia ter sido muito menor, se nāo fosse a prepotência do Partido Popular e do seu Mariano Rajoy", diz o escritor e jornalista Fernando Morais (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Morais, no Nocaute

Bom, que o sim ia vencer, todo mundo já sabia. O que ninguém sabia era que Madri ia perder tão feio. Espancamentos, agressões, fechamento de escolas a poder de cassetete, mais de 400 pessoas feridas.

Até agora, já estamos no finzinho da noite e já estão me dizendo aqui que tem 700 pessoas feridas, com graus diferentes de ferimento.

E é possível ver, nós mesmos já mostramos, o grau de violência e de barbaridade da Guarda Civil que, na verdade, é a tropa federal, que está aqui com um exército de ocupação na Catalunha. Uma brutalidade contra velhinhas, velhinhos, mulheres, crianças, jogando gente pelas escadas, chutando gente caída no chão.

Agora, esta é uma vitória de Pirro, em que o presidente Rajoy certamente perdeu a parada política. Os catalães estão festejando, estão nas ruas.

Aqui, em Barcelona, as praças estão tomadas. Nós vamos sair daqui do centro de imprensa para cobrir isso para vocês.

E o ódio que Madri destilou aqui na Catalunha lembra um pouco o que o golpe fez aí no Brasil, o que os golpistas fizeram no Brasil. O ódio foi tão grande que hoje a nossa equipe, a equipe do Nocaute, que estava aqui perto, em uma cidade chamada Arenys de Munt, do lado da montanha.

O nosso cinegrafista, o André, e o nosso produtor, o Xavier, que é cidadão catalão e é pro “Si” estavam cobrindo uma manifestação nesta cidade e foram confundidos, foram denunciados como se fossem infiltrados ali dentro. E só não foram espancados, nāo foram linchados graças a um jornalista catalão que foi ali intermediar. Eles saíram correndo. Foi um batismo de sangue para o Nocaute. Sangue médio, porque sangue na verdade nāo teve, nem do André, nem do Xavier.

Isso mostra, estou contando de uma maneira anedótica, o grau de cisão. O abismo que passa a separar a Catalunha da Espanha, hoje muito mais do que antes. E, seguramente, muitos amigos meus considerados conservadores que poderiam ser chamados de direita, que conhecem, que vivem a situação na Espanha reconhecem o seguinte. O desastre na Espanha poderia ter sido muito menor, se nāo fosse a prepotência do Partido Popular e do seu Mariano Rajoy. Até já.

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