Mais um golpe descarado: Trump quer apoiar protestos no Irã

Presidente dos EUA, Donald Trump, jogou mais lenha na fogueira do Oriente Médio ao afirmar, no Twitter, que possui "respeito pelas pessoas do Irã que lutam contra um governo corrupto"; Trump também prometeu "grande apoio dos Estados Unidos" em época apropriada; presidente Hassan Rohani afirmou que "as pessoas são absolutamente livres para criticar o governo" e que "este homem que simpatiza hoje com o nosso povo esqueceu que chamou a nação iraniana de terrorista há alguns meses"

Presidente dos EUA, Donald Trump 03/11/2017 REUTERS/Jonathan Ernst
Presidente dos EUA, Donald Trump 03/11/2017 REUTERS/Jonathan Ernst (Foto: Paulo Emílio)

Sputnik - Desde o último dia 28 de dezembro, o Irã sofre uma onda repentina de protestos, a maior desde que manifestantes invadiram as ruas contrários à reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad. A origem das manifestações de 2017 e as declarações de Trump parecem indicar o desenho da política externa norte-americana na agitação do Oriente Médio.

As ruas da capital iraniana, Teerã, foram ocupadas por manifestantes após a replicação de um vídeo nas redes sociais em que forças de segurança pública são vistas abrindo fogo contra civis. No entanto, de acordo com a rede de notícias Al-Jazeera, as imagens replicadas são de 2009, postadas na internet em 2011. A reportagem do canal árabe mostra ainda que a pessoa responsável por postar as imagens estava localizada na Califórnia, Estados Unidos.

Outra gravação mostrando uma horda de pessoas enfrentando a polícia e foi atribuída pela conta pró-israel como sendo parte dos protestos iranianos. As imagens, no entanto, são das manifestações na Argentina contra a reforma da Previdência, filmadas no dia 18 do mês passado como pode ser visto no comparativo entre a gravação verdadeira postada em dezembro e tweet com a informação falsa (que conta, até o momento, com mais de 1,4 mil retweets). Na gravação é possível, inclusive, ouvir os manifestantes gritando em espanhol.

​Ainda segundo a CNN, ao contrário dos protestos contra Ahmadinejad que focavam em esclarecer fraudes eleitorais, os atuais não possuem liderança clara e objetivos fixos. O canal de TV norte-americano noticiou que os encontros têm reunido poucos milhares de manifestantes, conduzidos por líderes religiosos que usam das queixas da população relativas à economia para desestabilizar o governo "moderado" de Hassan Rouhani.

A origem das notícias falsas não foi precisada, o que motivou Teerã a bloquear todas as redes sociais do país alegando motivos de segurança.

Apoio dos EUA

Na manhã desta quarta (3), o presidente Donald Trump usou o Twitter para demonstrar "respeito pelas pessoas do Irã que lutam contra um governo corrupto". O mandatário estadunidense aproveitou a oportunidade para prometer "grande apoio dos Estados Unidos" em época apropriada.

​Anteriormente, o Departamento de Estado já tinha divulgado nota em que dizia estar "acompanhando os relatos de protestos pacíficos por cidadãos iranianos em todo o país" e afirmar que os EUA "condenam veementemente a prisão de manifestantes pacíficos" e instam "todas as nações a apoiarem publicamente o povo iraniano e suas demandas por direitos básicos e o fim da corrupção".


Em resposta aos tweets de Trump, Rohani afirmou que "as pessoas são absolutamente livres para criticar o governo", acrescentando que os protestos devem ser realizados de modo a provocar melhorias no país. O presidente iraniano também criticou Donald Trump.
"Este homem que simpatiza hoje com o nosso povo esqueceu que chamou a nação iraniana de terrorista há alguns meses. Esse homem que está contra a nação iraniana no seu núcleo não tem o direito de simpatizar com os iranianos", disse.

Oposição

Combater a política iraniana em curso é uma promessa de campanha de Donald Trump. Anteriormente, o republicano usou seu primeiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas para avaliar o governo do Irã, dizendo que "regimes opressivos não podem durar para sempre e chegará o dia em que o povo iraniano enfrentará uma escolha".

Enquanto isso, protestos anti-governamentais foram "respondidos" por manifestações pró-governo maciças no sábado. Reuniões em apoio ao governo foram realizadas em cerca de 1.200 cidades do Irã, incluindo a capital, Teerã e a segunda cidade mais populosa do país, Mashhad.

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