MDL, renovar é preciso

O relatório do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo mostrará a importância do MDL para incentivar as fontes renováveis de energia

É esperada para os próximos dias na Conferência da ONU para as Mudanças Climáticas em Bangkok, a apresentação do relatório de avaliação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O estudo deverá trazer em suas recomendações finais um alento ao combalido mercado de carbono. Em linhas gerais: renovar é preciso, tanto a matriz energética do mundo quanto o MDL em si.

Desde 2006, quando se iniciou efetivamente, o MDL registrou 4496 projetos e emitiu globalmente cerca de 985 milhões de certificados de crédito (por tonelada equivalente de CO2 reduzida).

A peça produzida por uma dúzia de especialistas reconhecidos internacionalmente, vem após meses em missões de avaliação de projetos de MDL em vários países, bem como em debates técnicos com representantes da comunidade do Protocolo de Kyoto. E servirá para dar novo oxigênio a diplomatas e investidores.

Os sucessivos impasses nas rodadas multilaterais de Copenhagen, Cancun e Durban trouxeram fortes prejuízos e apreensão. A falta de um acordo pós-Kyoto, que se encerra já em 2012, vêm minando investimentos e projetos financiados por meio deste mecanismo.  Os obstáculos econômicos e políticos ao novo pacto empurraram os preços no mercado de carbono a um patamar próximo a 3 euros por tonelada equivalente de CO2.

A mensagem positiva da avaliação sobre os efeitos do MDL na economia e no ambiente virá de seu grande impacto colateral na transferência, desenvolvimento e adoção de tecnologias de geração de energia renovável como a fotovoltaica, de biomassa e a eólica, entre outras.

 

Um bom exemplo vem do último plano quinquenal chinês para o setor elétrico. O país conseguiu produzir 40GW de energia eólica, incorporando e melhorando tecnologias transferidas da Europa, primeiramente. Para se ter um comparativo da grandiosidade do projeto chinês,  a capacidade instalada da usina de Itaipú, segunda maior hidrelétrica do mundo, é de 14GW.

 

Em 2011, o setor de energia renovável empregou cinco milhões de pessoas em todo o mundo e fez investimentos da ordem de 257 bilhões de dólares, segundo organizadores de evento realizado durante a conferência Rio+20, em junho. Isto representa seis vezes mais recursos aplicados em comparação a 2004, e 94% a mais em relação a 2007.

 

As matrizes limpas respondem por 17% da energia global consumida atualmente, segundo a REN 21 – rede global de energias renováveis. A entidade advoga a introdução de políticas regulatórias, maiores incentivos fiscais e investimentos públicos em matrizes sustentáveis, para que esta fatia possa dobrar até 2030.

 

A despeito dos questionamentos sobre a essência meramente “compensatória” do MDL e das soberanas esquivas de países diante de suas responsabilidades ambientais individuais, o desenvolvimento limpo no mundo não deve parar, dirão os avaliadores. O impulso dado pelo Protocolo de Kyoto às energias renováveis foi substancial. Portanto, renovar o mecanismo será um bem necessário apesar de insuficiente neste novo estágio das negociações do clima.

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