Mercadante: Brasil está isolado e consequências já estão vindo

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante, em entrevista à TV 247, falou sobre a imagem do Brasil internacionalmente e sobre o isolamento que o país sofre no exterior; Ele também comentou sobre o manifesto assinado por vários ex-ministros da Educação em defesa da área; “Eles veem a Educação como ameaça”, disse; assista

Mercadante: autoritarismo de Bolsonaro não tem limites
Mercadante: autoritarismo de Bolsonaro não tem limites (Foto: Cláudio Kbene)
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247 - O ex-ministro da Educação, da Casa Civil e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, falou sobre a imagem negativa em relação ao Brasil no exterior e sobre o isolamento que sofre o país. Mercadante também contou sobre o encontro com ex-ministros da Educação que resultou em um manifesto em defesa do Ensino no Brasil, e falou acerca da possibilidade de um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro por parte da esquerda. Mercadante relatou que vários movimentos sociais internacionais não olham com bons olhos para o Brasil atualmente e que as consequências do isolamento brasileiro já estão chegando. “O Brasil está completamente isolado e as consequências econômicas já estão vindo, prejudicando nossos interesses. Assim como o Brasil foi visto pelo mundo como uma grande referência, uma nova civilização dos trópicos, hoje é um escândalo. Todo o movimento feminista internacional, todo LGBT, todo o movimento negro, todo o movimento pelo Estado de Direito democrático, todos os movimentos que defendem os direitos humanos, todas as pessoas que têm compromisso com a civilidade, toda a comunidade acadêmica científica está estarrecida com o que está acontecendo com as universidades brasileiras. É esse o tamanho do isolamento, na diplomacia não é diferente, você imagina qual é a imagem do Brasil hoje no mundo árabe depois de tudo que nós fizemos”. O ex-ministro falou sobre o encontro de ex-ministros da Educação e do manifesto, propostos por eles, em defesa da Educação no país. No entendimento dos ex-ministros, o atual governo vê a Educação como ameaça. “Nós fizemos um ato em que todos os ministros, depois da redemocratização, que tiveram um mandato mais longevo estavam presentes, com exceção do ministro Mendonça Filho, do Temer, que foi convidado e não compareceu, o Paim estava no Chile e o Luiz Cláudio estava no México. Soltamos um manifesto, todos preocupados com as ameaças que pairam sobre o setor educacional, esse é o sentimento, o rompimento da Educação como política de Estado. A Educação tem que ter continuidade, cada ministro pode aprimorar, corrigir, inovar mas tem que dar continuidade a essência do que são as diretrizes da política educacional, nós temos um Plano Nacional de Educação com 20 metas, planos estaduais e municipais que são uma bússola, mesmo na neblina e na tempestade, é um rumo a ser seguido pela Educação brasileira. O atual governo está rompendo com todas essas construções e convergências, desde o Vélez e agora o Abraham, além de um arrocho fiscal muito severo, que compromete gravemente toda essa condição, e os ataques às universidades. Eles veem a Educação como ameaça, eles atacam a Educação ideologicamente”. Aloizio Mercadante ressaltou que ministros da área ambiental também já se pronunciaram contra as atitudes do atual governo. “Em várias áreas das políticas públicas, quase todos os ex-ministros, que tiveram divergências, debates, discordâncias, cada um pertencia a um governo, partido, a uma visão de mundo, estão se manifestando coesamente e duramente contra as políticas do Bolsonaro. Nós tivemos um encontro que reuniu todos os ex-ministros da área ambiental, todos, que soltaram uma série de críticas contundentes denunciando o desmonte do ministério do Meio Ambiente, o desmonte do Ibama, o desmonte do Fundo Amazônia, o desmonte das políticas de proteção ambiental, o crescimento do desmatamento, a impunidade, o Brasil abandonando a liderança que tinha na agenda de combate ao efeito estufa e aquecimento global, isso juntou todos os ex-ministros”. Outro setor que se reuniu contra as medidas do governo Bolsonaro, e lembrado por Mercadante, foi o de Justiça. “Na Justiça, e hoje justiça e segurança pública é mais difícil ainda, você tem Miguel Reale Júnior, que estava na linha de frente do golpe, você tem o José Eduardo, que estava na defesa do governo, você tem o Tarso Genro, que tem uma liderança histórica do PT, você tem ali o Aloysio Nunes, o Renan, enfim, eram onze ex-ministros que fazem uma carta pública denunciando essa política de armamento da população. Eles tentam advertir que o porte deve ser uma coisa para pessoas que são treinadas, em casos específicos onde verdadeiramente existe um risco, que tem que ter uma certa prudência, você não pode estabelecer categorias, enfim, uma crítica contundente”.

Ele também explicou que será criado o Observatório da Educação Brasileira para monitorar a situação de Ensino brasileira. “Esse é o sentimento: que falta atitude no MEC, que falta grandeza, decoro a função ministerial, que falta respeito às instituições, que falta canais de diálogo com a comunidade acadêmica e, por tudo isso, o sentimento dos ministros foi muito forte, não só com essa carta mas como o Instituto de Estudos Avançados da USP, que vai abrigar um Observatório da Educação Brasileira, nós estamos constituindo um observatório, quero sugerir que isso seja feito em todas as áreas, não só os ex-ministros se reunirem, defenderem saúde pública, defenderem as políticas que foram construídas, mostrarem que houve continuidade, reconhecimento e acúmulo e buscarem, desta forma, reverter esse cenário”.

Aloizio Mercadante também opinou sobre a posição do ex-presidente Lula, que defende que não é momento de apresentar pedido de impeachment de Bolsoanro. “Concordo inteiramente com Lula, nós viemos de uma tradição democrática, o PT, mesmo fora do governo, quando nós fomos oposição, perdemos as eleições e continuamos a ser oposição, e a democracia é necessariamente governo e oposição, nós apresentamos propostas para melhorar o Brasil, lutamos por aquilo que nós achávamos que era melhor. Nunca trabalhamos no quanto pior, melhor, sempre tivemos coragem de ficar, às vezes, isolados para dizer ‘não aceitamos isso que está sendo votado’”.

O ex-ministro afirmou que, caso haja materialidade na denúncia, certamente haverá defesa do PT ao impeachment. “O impeachment é democrático? É, se houver crime de responsabilidade, a Constituição é clara. Não é porque eu votei em outro candidato que no dia seguinte eu estou pedindo o impeachment do governo, crime de responsabilidade tem que ter a fundamentação do crime. Se as investigações dos laranjas da família Bolsonaro, se o patrimônio estiver incompatível com a renda, se houve lavagem de dinheiro, se há uma relação com a milícia, e os indicadores de que isso aconteceu com o clã Bolsonaro são muito fortes e o Ministério Público está investigando formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, corrupção. Se essa denúncia tiver materialidade, provas consistentes e substantivas, seguramente vai haver um pedido de crime de responsabilidade e afastamento do presidente,e aí o PT vai defender a Constituição. Agora, se eu estou insatisfeito com o governo, acho que esse governo é um desastre, eu propor encurtar o curso da democracia não, isso quem faz é a direita, são os golpistas, nós só crescemos na democracia”.

Ele também defendeu que a oposição apresente propostas para melhorar a crise no país e disse que não se pode operar no “quanto pior, melhor”. “Nós somos oposição, dissemos que isso ia acontecer com o país, vamos denunciar o tempo inteiro com toda coragem, agora, nós temos, na minha visão, que apresentar propostas, por exemplo, em relação a 13 milhões de desempregados, temos que apresentar propostas para 63 milhões que estão inadimplentes, nós precisamos pensar como é que retoma o financiamento ao investimento, nós não podemos trabalhar no quanto pior, melhor, isso é coisa de gente pequena, gente que vira as costas para o país e que o projeto de poder está acima dos interesses da nação e do povo”.

Mercadante também alega que acredita em fraude na eleições que levaram Bolsonaro à presidência, porém afirma que a denúncia já foi feita e que há necessidade de esperar que as autoridades concluam as investigações. “Eu acho que teve fraude na eleição, nós denunciamos todas as fraudes, agora, no Estado de direito democrático, quem reconhece a fraude é a Justiça Eleitoral e, em última instância, o Supremo Tribunal Federal. O Supremo abriu uma investigação sobre as fake news e ainda não trouxe de volta o que ele apurou, há informações que circulam que essas investigações mostram que houve fraude de caixa dois, fake news, empresários que patrocinaram aquela campanha difamatória. Pode ser que de fato isso esteja acontecendo e que em algum momento essas informações cheguem, haja denúncia do Ministério Público e o TSE pode tomar providências em relação a chapa, não é nem impeachment, é anular o resultado da eleição”.

O ex-ministro também comentou sobre a propaganda do governo em relação à reforma da Previdência. Segundo Mercadante, a forma como está sendo feita a propaganda, a fim de “fazer campanha” pela reforma, não está prevista na legislação. “Isso está sendo feito, inclusive questionando junto a Procuradoria Geral da República e Ministério Público o uso indevido de recurso público para campanha porque isso não está previsto na legislação brasileira. “O governo pode divulgar serviços, ele não pode fazer campanha, por exemplo, nó temos cinco minutos diários para o MEC divulgar a Educação, então vai ter agora a matrícula do Sisu, você pode utilizar para divulgar as datas, você só pode divulgar serviços. Pode até divulgar realizações dentro de determinadas situações, agora, não pode fazer publicidade pessoal”.

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Mercadante debate sobre isolamento político de Bolsonaro

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