Merkel é vaiada em comício e CDU começa a perder vantagem

Angela Merkel realizou seu último comício nesta sexta-feira (22) em Munique; o evento foi marcado por fortes vaias dos opositores; mesmo se a chanceler alemã continua na liderança, seu partido, o CDU, vem diminuindo a vantagem na reta final da corrida eleitoral 

Angela Merkel realizou seu último comício nesta sexta-feira (22) em Munique; o evento foi marcado por fortes vaias dos opositores; mesmo se a chanceler alemã continua na liderança, seu partido, o CDU, vem diminuindo a vantagem na reta final da corrida eleitoral 
Angela Merkel realizou seu último comício nesta sexta-feira (22) em Munique; o evento foi marcado por fortes vaias dos opositores; mesmo se a chanceler alemã continua na liderança, seu partido, o CDU, vem diminuindo a vantagem na reta final da corrida eleitoral  (Foto: Aquiles Lins)

Silvano Mendes, RFI - O que deveria ser apenas um comício de celebração do final da campanha e uma demonstração da força e da coesão da União Democrata Cristã (CDU na sigla em alemão) e a União Social-Cristã na Baviera (CSU), acabou se tornando um desafio de última hora para Angela Merkel, que disputa um quarto mandato neste domingo (24). A chefe do governo foi vaiada durante boa parte de seu discurso por grupos opositores e em alguns momentos do evento o público teve dificuldade em entender o que dizia a chanceler.

Desde o início da campanha, os opositores, muitas deles representantes do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha), se misturam ao público para criar confusão. Mais discretos nos primeiros dias, eles vêm se tornando cada vez mais numerosos e barulhentos com a aproximação do dia do voto.

"Estamos vivendo um período de incertezas. Por isso precisamos de uma política que continue beneficiando a Alemanha. Peço que votem para a CDU para termos uma Alemanha forte, uma Alemanha de sucesso", declarou a candidata em meio às vaias. "Nós temos apenas algumas horas antes do voto", martelou Merkel.

Essa insistência da chanceler não é apenas um embalo de fim de uma campanha relativamente morna. Apesar de continuarem favoritos, os últimos números mostram que os partidários da CDU e da CSU (seu braço regional) estão menos mobilizados que no início da corrida eleitoral e Merkel, assim como os demais candidatos dos dois partidos, temem que a retórica do "já ganhou" possa ter afetado a mobilização dos eleitores, que se sentiriam menos obrigados a sair de casa para votar no domingo.

A chanceler vai passar o sábado na sede de seu partido, no norte do país, mas nenhum comício está previsto no programa oficial.

Martin Schulz ainda não jogou a toalha

Enquanto isso, Martin Schulz, o principal rival de Merkel, tenta conquistar os últimos eleitores e ainda não perdeu a esperança de obter bons resultados. O chefe do Partido Social-democrata Alemão (SPD) e ex-presidente do Parlamento Europeu fez um comício em Berlim e prepara outro neste sábado em Aachen, quase na fronteira com a França.

Em seu discurso na capital alemã, o candidato se mostrou mais combativo que nunca. "Este domingo não será um dia banal. Será o momento de impedir que nosso país seja dirigido com uma espécie de frieza social, sem nenhum sentido. A Alemanha borbulha! Não podemos desistir", clamou Schulz, apesar de estagnar da casa dos 20% de intenções de voto, cerca de 10 pontos percentuais atrás da CDU de Merkel.

Para mobilizar os eleitores indecisos, mas também aqueles que não pretendiam votar, o ex-presidente do Parlamento Europeu também criticou diretamente a AfD da extrema-direita que, segundo ele, adota um discurso retrógrado, saído do século 20. "Eles se chamam Alternativa para a Alemanha, mas não são uma alternativa, e sim uma vergonha para o país".

O partido populista AfD, que construiu uma campanha baseada principalmente na xenofobia, continua subindo nas pesquisas de opinião, com mais de 10% de intenções de voto, e pode ser a terceira legenda mais votada de domingo. Ele disputa essa posição com o Die Linke, a esquerda-radical, e Partido Democrático Liberal (FDP na sigla em alemão), ambos também na casa dos 10%.

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