Odebrecht assina acordo de colaboração com Peru

A Odebrecht assinou um acordo de colaboração com autoridades peruanas que contempla o pagamento de uma multa milionária de reparação civil e cooperação com investigações por ter pago propina para ganhar contratos de obras de infraestrutura, disseram fontes próximas ao assunto

Odebrecht assina acordo de colaboração com Peru
Odebrecht assina acordo de colaboração com Peru (Foto: REUTERS/Rodrigo Paiva)

Marco Aquino (Reuters) - A Odebrecht assinou um acordo de colaboração com autoridades peruanas que contempla o pagamento de uma multa milionária de reparação civil e cooperação com investigações por ter pago propina para ganhar contratos de obras de infraestrutura, disseram fontes próximas ao assunto.

O acordo permitirá que a Odebrecht continue operando no Peru. Em troca, a empresa brasileira terá que entregar provas e testemunhos de seus executivos sobre funcionários públicos e políticos que receberam suborno desde o começo da década passada.

Duas fontes disseram que a multa chega a 182 milhões de dólares, a ser paga no prazo de 15 anos, depois do reconhecimento da Odebrecht de que pagou propinas em seis contratos relacionados a quatro obras de infraestrutura.

A terceira fonte afirmou que a empresa pagará 680 milhões de soles (cerca de 200 milhões de dólares) de multa, incluindo uma quinta obra em que a construtora admitiu pagamento de suborno.

Representantes do escritório local da Odebrecht não quiseram comentar as informações.

“Foi estabelecido o prazo de 15 anos para o pagamento da reparação civil, porque a Odebrecht está tecnicamente quebrada”, disse uma das fontes.

A mesma fonte disse que as provas do suborno não servirão apenas para as investigações, mas também para que a Procuradoria utilize as informações e, se for o caso, o Estado possa cobrar uma reparação dos parceiros locais da empresa brasileira.

As três fontes disseram que o acordo foi assinado no começo do sábado, depois de 12 horas de negociações e revisão do texto entre os representantes da promotoria, a procuradoria e a filial de Odebrecht.

As autoriades pretendem interrogar em janeiro, no Brasil, vários executivos da Odebrecht, entre eles o ex-chefe da empresa no Peru, Jorge Barata.

RECONHECIMENTO DA PROPINA

Sob os termos do acordo, a Odebrecht reconhece que pagou propina para a obtenção de seis contratos. Dois deles são referentes à construção de uma estrada que uniu o Brasil ao Peru durante o governo do presidente Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, afirmaram duas das fontes com conhecimento do acordo.

Outros dois contratos correspondem à construção do metrô de Lima, que foi executa durante o segundo governo do presidente Alan García, entre 2006 e 2011.

As fontes também disseram que estão sob investigação os contratos para ampliar o corredor Costa Verde-Callao na costa de Lima, e a construção de uma estrada de acesso rápido para a cidade de Cusco.

Uma quinta obra em que a Odebrecht admitiu ter pago suborno é o projeto “Chacas”, na região andina de Ancash.

Os casos se suborno da Odebrecht no Peru abalaram a imagem dos quatro presidentes anteriores do país e da líder da oposição, Keiko Fujimori, que cumpre três anos de prisão preventiva por suposta lavagem de dinheiro. Os presidentes Alan García, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski também são investigados no país, enquanto Alejandro Toledo tem um pedido de extradição dos Estados Unidos.

A Odebrecht começou a operar no Peru há quatro décadas e foi fortemente afetada pelos casos de corrupção no país. Atualmente, a companhia conta com 2.000 funcionários na nação, contra 20 mil em seu auge.

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