Odebrecht grampeou controlador-geral do Equador

O executivo da Odebrecht José Conceição dos Santos Filho, que liderava a Odebrecht no Equador, gravou inúmeras conversas com autoridades do país, entre elas o ex-controlador Carlos Polit; gravação mostra que a empreiteira comprou Carlos Polit, controlador-geral do Equador durante dez anos; responsável por comandar a investigação que levou à expulsão da Odebrecht, em 2008, pelo ex-presidente Rafael Corrêa; Polit teve seu passe comprado pela Odebrecht, que o fez reverter a decisão e a emitir pareceres que recomendavam ao Equador aceitar de volta a empreiteira

Odebrecht
Odebrecht (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - Há exato um ano, o executivo da Odebrecht José Conceição dos Santos Filho era um dos cerca dos 15 executivos internacionais da empresa que, silenciosamente, se preparavam para delatar. Diretor da empresa no Equador desde 1994, Conceição já havia reunido provas documentais para tentar provar que a empresa havia vencido licitações e conseguido adiantar pagamentos por meio de propinas. Mas faltavam provas concretas para tornar irrecusável ao Ministério Público Federal do Brasil (MPF) sua proposta de delação. Inspirado no então recente exemplo do expresidente da Transpetro Sérgio Machado, Conceição armou-se com um gravador e, no melhor estilo Joesley Batista, produziu provas que prometem fazer a política equatoriana tremer.

A delação de Conceição, ainda em sigilo, mostra que uma das principais autoridades gravadas por ele foi Carlos Polit, o controlador-geral do Equador durante dez anos, e responsável por comandar a investigação que levou à expulsão da Odebrecht, em 2008, pelo ex-presidente Rafael Corrêa. Conceição revelou aos procuradores brasileiros que a Odebrecht comprou o passe de Polit, fazendo-o reverter a decisão e a emitir pareceres que recomendavam ao Equador aceitar de volta a empreiteira.

A caneta de Polit custou caro à empreiteira. O homem que deveria combater a corrupção foi direto.

“Ele me informou que não concordava com os pareceres da Controladoria contra a companhia. Revisaria seus pareceres contanto que fosse realizado a ele um pagamento de US$ 6 milhões”, contou Conceição ao MPF.

Polit passou, a partir daí, a ser um funcionário de luxo da empreiteira, que, sem constrangimento, exigia pagamentos para dar pareceres fundamentais para que a Odebrecht ganhasse licitações. Não foram poucas.

As informações são de reportagem de Guilherme Amado em O Globo.

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