Onda de fake news contra Evo Morales contamina processo eleitoral na Bolívia

Eleitores bolivianos estão experimentando um fenômeno idêntico ao que se verificou nas eleições presidenciais de 2018 no Brasil e que têm como alvo o atual presidente e líder nas pesquisas de intenção de voto, Evo Morales

Daniel Giovanaz, Brasil de Fato - Os eleitores bolivianos estão experimentando um fenômeno idêntico ao que se verificou nas eleições presidenciais de 2018 no Brasil: um tsunami de fake news – em português, notícias falsas. Às vésperas da votação de 20 de outubro, os rumores se intensificam e começam a ganhar as rodas de conversa.

Em La Paz ou em Santa Cruz de la Sierra, sempre parece haver alguém com um celular na mão mostrando aos amigos o novo “meme” ou a nova notícia bombástica que promete alterar o rumo das eleições.

O principal alvo é o atual presidente e líder nas pesquisas eleitorais, Evo Morales. Os boatos mais recentes dizem que ele teria milhões de dólares depositados em uma conta bancária no Vaticano. Também se ouve falar de muitos filhos não reconhecidos por ele, fruto de relacionamentos com jovens com menos de 18 anos.

Uma rápida pesquisa na internet mostra que essas histórias também circulavam nas últimas eleições e já foram desmentidas. Na era do Whatsapp, pouco importa.

Esta semana, a reportagem do Brasil de Fato conversou com o ex-guerrilheiro Raul García Linera, irmão do vice-presidente boliviano, que também é vítima frequente de notícias falsas. Embora ache graça das mentiras contadas sobre seu passado, ele está preocupado e reconhece que o governo não encontrou uma forma de combater esse vírus, que se espalha sem limites.

A Bolívia tem 12 milhões de habitantes e mais de 11 milhões de pontos de conexão fixa e móvel à internet, o que torna esta eleição diferente de todas as outras.

Não é difícil perceber que a direita é quem publica a maior parte das notícias falsas. Nas ruas, é comum ouvir falar que a Bolívia “pode virar uma Venezuela”, em referência às crises na economia e na política causadas pelo bloqueio econômico estadunidense. Os mesmos eleitores não parecem ter medo de se tornar “uma Argentina”, governada por um presidente que se diz liberal e que deve entregar o país, em outubro, sem nenhum sinal de recuperação econômica.

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