ONU: 155 milhões enfrentaram insegurança alimentar aguda em 2020

Segundo relatório da Global Network Against Food Crises, ao menos outros 28 milhões em 38 países/territórios enfrentaram insegurança alimentar aguda de emergência, estando a um passo da inanição

Pessoas carregam sacos de alimentos do Programa Mundial de Alimentos da ONU em assentamento para refugiados do Sudão do Sul em Uganda
Pessoas carregam sacos de alimentos do Programa Mundial de Alimentos da ONU em assentamento para refugiados do Sudão do Sul em Uganda (Foto: REUTERS/James Akena)
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247 - Relatório da Global Network Against Food Crises, grupo composto pela União Europeia (UE), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e Programa Alimentos para o Mundo, publicado nesta quarta-feira (5), aponta que, em 55 países/territórios analisados ao redor do mundo, ao menos 155 milhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar aguda em 2020, aumento de cerca de 20 milhões de pessoas em relação ao ano anterior. 

Este grupo é categorizado em 'Crise' pelos pesquisadores, que inclui pessoas com desnutrição aguda alta ou acima do normal ou aqueles que rapidamente esgotaram bens essenciais para atender às necessidades mínimas de alimentos.

Segundo o documento, ao menos outros 28 milhões em 38 países/territórios enfrentaram insegurança alimentar aguda de emergência, estando a um passo da inanição, com desnutrição aguda muito elevada e mortalidade excessiva. Este grupo empregou estratégias de subsistência de emergência. 

133 mil pessoas foram classificadas na fase mais grave, Catástrofe, em Burkina Faso, Sudão do Sul e Iêmen, onde ação urgente foi necessária para conter a crise humanitária.

O relatório destaca que países africanos são "afetados desproporcionalmente", acrescentando que os conflitos no continente levaram em torno de 100 milhões de pessoas à insegurança alimentar. 

No entanto, a situação também piorou em outras regiões. Iêmen, Afeganistão, Síria e Haiti estão entre as dez piores crises alimentares do ano passado. 

"O conflito e a fome reforçam-se mutuamente. Precisamos combater a fome e o conflito juntos para resolver qualquer um deles ... Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para acabar com este ciclo vicioso. Enfrentar a fome é uma base para a estabilidade e a paz", disse o Secretário-Geral da ONU, António Guterres no relatório.

O impacto da pandemia da Covid-19 também é destacado. Os pesquisadores defendem a necessidade de sistemas mais equitativos, sustentáveis ​​e resilientes para alimentar de forma nutritiva e consistente 8,5 bilhões de pessoas até 2030.

Na América Latina, os países analisados foram Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Cuba. O Brasil ficou de fora do estudo, mas dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, conduzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), mostram que um total de 19 milhões de brasileiros sofreram com a fome durante a pandemia ao longo do ano passado. O estudo aponta que 116.8 milhões de brasileiros registraram algum grau de insegurança alimentar no final do ano passado.

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