Papa pede perdão por "pecados da Igreja" em genocídio de Ruanda

Papa Francisco pediu perdão pelos "pecados e falhas da igreja e de seus membros" durante o genocídio ocorrido em Ruanda em 1994, e disse ao presidente ruandês, Paul Kagame, que esperava que suas desculpas ajudassem o país a se curar; Francisco "implorou um novo perdão de Deus pelos pecados e falhas da igreja e de seus membros" e "expressou o desejo de que o pedido de perdão possa "contribuir para uma 'purificação da memória" e promover "um futuro de paz"; Em 1994, durante cerca de 100 dias, mais de 800 mil tutsis étnicos e hutus moderados foram mortos por extremistas da etnia hutu

Papa Francisco acena em audiência no Vaticano.  17/6/2015.  REUTERS/Max Rossi
Papa Francisco acena em audiência no Vaticano. 17/6/2015. REUTERS/Max Rossi (Foto: Paulo Emílio)

Sputnik - O Papa Francisco pediu perdão nesta segunda-feira (20) pelos "pecados e falhas da igreja e de seus membros" durante o genocídio perpetrado em Ruanda em 1994, e disse ao presidente do país africano que esperava que suas desculpas ajudassem o país a se curar.

Em uma declaração extraordinária após o encontro de Francisco com o presidente ruandês Paul Kagame, o Vaticano reconheceu que a parcela de culpa da própria igreja, assim como de alguns padres e freiras católicos que "sucumbiram ao ódio e à violência, traindo sua própria missão evangélica" ao participarem do genocídio.

Durante cerca de 100 dias, mais de 800 mil tutsis étnicos e hutus moderados foram mortos por extremistas da etnia hutu. Muitas das vítimas morreram nas mãos de padres, clérigos e freiras, segundo relatos de sobreviventes, e o governo ruandês afirma que muitos morreram dentro das igrejas onde haviam procurado refúgio.

O Papa Francisco "implorou um novo perdão de Deus pelos pecados e falhas da igreja e de seus membros" e "expressou o desejo de que este humilde reconhecimento das falhas desse período, que infelizmente desfiguraram a face da igreja, possa contribuir para uma 'purificação da memória' e possa promover, com esperança e renovada confiança, um futuro de paz", segundo relatou o Vaticano.

O governo ruandês há muito tempo pressionava a igreja a pedir desculpas pela sua cumplicidade no genocídio, mas tanto o Vaticano quanto a igreja local vinham relutando em fazê-lo, alegando que os padres e freiras que cometeram crimes durante o período haviam agido individualmente.

Em meio à contínua pressão do governo, os bispos católicos de Ruanda pediram desculpas no ano passado "por todos os erros cometidos pela igreja", mas o ministério do governo local rejeitou as desculpas, classificando-as como inadequadas.

A chanceler Louise Mushikiwabo disse que "a reunião de hoje foi caracterizada por um espírito de abertura e respeito mútuo", e que permitirá "construir uma base mais forte para restaurar a harmonia entre os ruandeses e a Igreja Católica".

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