Partido Colorado deve voltar ao poder no Paraguai

Um ano depois do impeachment de Fernando Lugo, o polêmico empresário Horácio Cartes, que propõe "roubar menos", deve se eleger, neste domingo, presidente do Paraguai

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Por Daniela Desantis e Mariel Cristaldo

ASSUNÇÃO, 21 Abr (Agência Reuters) - Os paraguaios votam neste domingo para decidir se o partido conservador Colorado retorna ao Governo que ocupou durante décadas, ou se o Partido Liberal mantém o poder que veio menos de um ano após a queda do presidente Fernando Lugo.

O Colorado Horacio Cartes, um empresário controverso de 56 anos e novato na política, tem liderado as pesquisas contra o seu principal adversário, o ex-ministro de Obras Públicas Efrain Alegre.

Um eventual triunfo de Cartes devolveria o poder aos colorados, que deixaram o comando do país em 2008 depois de 60 anos, quando uma coalizão de centro-esquerda liderada pelo ex-bispo católico Fernando Lugo os derrotou em uma alternância histórica no Paraguai.

Lugo deveria deixar a Presidência em 15 de agosto deste ano, mas foi destituído por um impeachment deixando o governo nas mãos do seu vice, o líder do Partido Liberal, Federico Franco, e o país isolado em termos diplomáticos até a eleição.

Alegre, que como senador liberal votou a favor da saída de Lugo, daria continuidade à gestão iniciada por Franco.

Cerca de 3,5 milhões de paraguaios devem ir às urnas para escolher também o novo vice-presidente, membros do Congresso bicameral e as autoridades departamentais para os próximos cinco anos.

Os candidatos concluíram na quinta-feira a campanha de fogo cruzado, em que Alegre acusou seu rival político de ter ligações com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, enquanto Cartes denunciou o concorrente de suposta apropriação indevida de fundos, quando ele era ministro, e de ter pago pelas alianças eleitorais com recursos públicos.

Ambos negaram as acusações.

"Para mim, todos eles são iguais, os Colorados, os liberais, o pessoal do Lugo. Eu costumava ter fé nos políticos, mas agora não mais. Aqui o que é necessário é trabalho e prometem tudo, mas ninguém lhe dá nada", disse Benitez Evelia, um vendedor de rua de 38 anos que disse que estava indecisos sobre em quem votar.

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