Pepe Escobar: desespero americano com mundo multipolar está quase patológico

No dia seguinte a mais uma tentativa fracassada de golpe na Venezuela, o correspondente internacional Pepe Escobar falou à TV 247 e juntou diversas peças deste complexo "e demente" quebra-cabeça global; "O nível de desespero dos americanos com o avanço do mundo multipolar está chegando a um estado patológico. É muito, muito sério", afirmou Pepe; assista

Pepe Escobar: desespero americano com mundo multipolar está quase patológico
Pepe Escobar: desespero americano com mundo multipolar está quase patológico

247 - Na última quarta-feira (1), dia seguinte a mais uma tentativa fracassada de golpe na Venezuela, Leonardo Attuch conversou sobre o assunto com o correspondente internacional Pepe Escobar, que juntou diversas peças deste complexo "e demente" quebra-cabeça global.

"Quando a gente usa a metáfora dos cachorros soltos em todos os lados, é porque o nível de desespero dos americanos com o avanço do mundo multipolar está chegando a um estado patológico, é muito, muito sério", afirmou Pepe, que explicou que os Estados Unidos estão empenhados em "silenciar e punir, seja como for, qualquer jornalista, publisher ou vazador que comprometa o funcionamento do sistema americano e, ao mesmo tempo, punir todo e qualquer país que vá contra a hegemonia americana".

Pepe lembra que atualmente são mais de 20 países sob sanções dos Estados Unidos, incluindo três nações cruciais: Rússia, China e Irã, "os três polos das Rotas da Seda", mais a Turquia. "A guerra é Estados Unidos/Otan contra a unificação da Eurásia. Esses são os três principais polos, com o extra da Turquia. E são os quatro principais países apoiando Nicolás Maduro em Caracas, os quatro líderes da unificação da Eurásia".

Pepe explica a fracassada tentativa de golpe:

"O golpe da Venezuela, que estava mais ou menos em banho-maria, porque eles tentaram de tudo antes, imperialismo humanitário, não funcionou, eles tentaram revolução colorida, não funcionou, e aí eles voltaram ao esquema dos anos 1960 e 1970, 'vamos tentar um golpe por dentro'. O problema é que eles não têm inteligência, e não tem efetivos, e eles estão apoiados num fantoche absolutamente patético que não consegue convencer gente num bar da esquina de Caracas, quanto mais um país inteiro".

Para o jornalista, o opositor Juan Guaidó, que se autoproclama presidente sem ter participado das eleições, não passa de um clone de Barack Obama, formado nas mesmas escolas de catequização neoliberal americanas, mas sem nenhuma substância. E, pior, sem apelo popular, especialmente entre os chavistas, muito menos nas Forças Armadas.

"Virou um misto de três patetas, controlados por Os Sopranos à distância, mas fazendo uma patetagem absolutamente extraordinária. O não-golpe foi como uma versão cômica da Baía dos Porcos, em 1962. E, na hora "h", os mercenários americanos e latino-americanos foram abandonados pelo governo americano. Esses tontos da Casa Branca, especialmente o trio demente que eu chamo de (John) "Psycho" Bolton, assessor de Segurança Nacional, o cônsul (Mike) Pompeo "Minimus", secretário de Estado, e o demente evangelista apocalipsista que acha que a segunda vinda de Jesus Cristo vai acontecer amanhã, Mike Pence, vice-presidente, tinham certeza que o golpe que estava marcado para hoje, primeiro de maio, ia funcionar. Daí o fato de terem chamado aquela coisa patética, sub-zoológica que é o ministro das Relações Exteriores brasileiro a Washington na segunda-feira (29)", explicou Escobar.

Pepe chamou atenção ao fato, que passou praticamente despercebido na imprensa, de Juan Guaidó ter feito o pronunciamento conclamando ao golpe na Embaixada da Colômbia. "Depois ele saiu da Embaixada e foi para um jardim na frente".

Outro fator decisivo para a derrocada do golpe, segundo Escobar, foi a atuação dos russos e turcos, pois a inteligência russa já tinha mapeado que ia acontecer alguma coisa entre o dia 31 e o dia primeiro. "Maduro está sendo assessorado pela inteligência russa e também adicionalmente pela inteligência turca; o Erdogan disse basicamente para a liderança em Caracas: 'olha, eles tentaram a mesma coisa comigo há três anos, e é isso o que você tem que fazer'", contou Pepe, que também amarrou com mais profundidade os temas Julian Assange, atentado no Sri Lanka, ressurreição do Estado Islâmico, Irã e Rotas da Seda, entre outros.

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