“Por favor no más”. Mortos e feridos em protesto contra abuso policial na Colômbia

Manifestantes foram às ruas pela morte de Javier Ordóñez após violenta abordagem

Protesto em Bogotá
Protesto em Bogotá (Foto: Luisa Gonzalez/Reuters)
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Por Murilo Matias, do Vozes Latinas - Uma violenta abordagem realizada por dois policiais na quarta-feira resultou na morte do advogado e taxista colombiano Javier Ordóñez. Submetido a repetidos choques elétricos e estrangulamento por dois policiais mesmo já estando sem reação, o advogado não resistiu horas depois no hospital.

A ação dos policiais, motivada pelo suposta alegação de Ordónez estar ingerindo bebida alcóolica, foi gravada e exposta a todo o país causando a revolta da população que saiu às ruas para protestar na capital e em outras partes do território na noite desta quinta-feira. Em meio às manifestações e a repressão outras sete pessoas perderam suas vidas, além dezenas de civis e policiais feridos.

"70% de unidades de postos de polícia de Bogotá foram afetados ou destruídas. Foi um levantamento impressionante contra a violência escancara do Estado contra o povo. Como não existe um inimigo mais como a guerrilha FARC (Forças Revolucionárias Alternativas da Colômbia) em que se pode sustentar a cultura da violência, essa força está se voltando para criminalizar protestos e a oposição. Afora isso há uma situação social de desemprego e desigualdade que aumenta a tensão. Os vídeos deixam claro que Ordónez, um cidadão comum, foi torturado”, comenta Byron Vellez, sociólogo colombiano.

A afirmação do ministro da Defesa Carlos Holmes Trujillo de que a polícia é uma instituição querida às pessoas não corresponde à realidade de uma população marcada pelo medo. O país vive uma onda impressionante de assassinato de líderes sociais e massacres em diferentes partes do território, com a absoluta maioria dos casos permanecendo na impunidade ou sequer sendo investigados.

“O governo e os uribistas (partidários do ex-presidente Álvaro Uribe) acreditam que as pessoas seguem sendo idiotas e fingem que não está acontecendo nada. A reação desta noite é o real reflexo do que está passando com as pessoas”, afirma Sandra Santos, jornalista local. Durante os distúrbios da quinta-feira novos vídeos de agentes abrindo fogo contra as manifestações nas ruas da comunidade de Suba circularam pelo país. 

“Desde a prefeitura ninguém deu ordens de usar armas de fogo, muito menos de maneira indiscriminada , mas temos evidências de lugares onde isso ocorreu. Estamos reconstruindo fatos com vítimas e familiares”, garantiu a prefeita Claúdia Lopez.

Em pronunciamento oficial anterior aos fatos da noite e madrugada o presidente Ivan Duque afirmou que o governo nacional se comprometia a investigar a morte de Javier Ordóñez. A súplica da vítima aos policiais pedindo “por favor no mas” (por favor chega) enquanto era vítima das agressões é o grito sufocado da voz de milhões de colombianos.

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