Premiê da Itália vence votação no Senado e mantém mandato

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, obteve nesta terça-feira (19) o voto de confiança do Senado e conseguiu sobreviver, embora fragilizado, à crise deflagrada pela saída do ex-premiê Matteo Renzi do governo

Giuseppe Conte
Giuseppe Conte (Foto: Sputnik)
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(ANSA) – O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, obteve nesta terça-feira (19) o voto de confiança do Senado e conseguiu sobreviver, embora fragilizado, à crise deflagrada pela saída do ex-premiê Matteo Renzi do governo.

A votação na Câmara Alta terminou com placar de 156 a 140 a favor de Conte, resultado suficiente para mantê-lo no poder neste momento, porém abaixo do esperado pelo governo para ter uma situação mais estável.   

O gabinete do primeiro-ministro mirava alcançar 161 votos, maioria absoluta dos 320 senadores, mas teve de se contentar com a maioria relativa, possibilitada pela abstenção de 16 parlamentares do centrista Itália Viva (IV), partido de Renzi.   

Com isso, mesmo fora da base aliada, o ex-premiê continuará tendo o futuro de Conte em suas mãos, já que basta o IV votar compacto junto com a oposição no Senado para reacender a crise política.   

“Não votamos ‘não’ porque nosso projeto não era colocar em discussão o perímetro da maioria”, justificou a senadora Teresa Bellanova (IV), que renunciou ao cargo de ministra da Agricultura na semana passada.   

Renzi rompeu com Conte por discordar de suas políticas para a utilização de recursos da União Europeia no pós-pandemia, especialmente a recusa ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), instrumento de socorro a nações em dificuldade na eurozona mediante empréstimos com juros subsidiados.   

O ex-primeiro-ministro diz que o ESM é necessário para potencializar os investimentos em setores como a saúde, mas o Movimento 5 Estrelas (M5S), maior partido da base aliada, alega que o instrumento retira soberania dos países, já que costuma estar atrelado a um programa de reformas.   

Renzi também critica Conte por acumular o comando dos serviços secretos, além de ser contra as políticas de comunicação do governo e a renda básica de cidadania, espécie de “bolsa família” da Itália e bandeira do M5S.   

“Já faz meses que pedimos uma reviravolta, não é verdade que tenhamos sido irresponsáveis. Fomos, na verdade, até pacientes demais”, disse Renzi na tribuna do Senado.   

Embora tenha senadores suficientes para derrubar o governo, o Itália Viva aparece hoje nas pesquisas com menos de 3% das intenções de voto, cláusula de barreira para entrar no Parlamento em caso de eleições.   

Discurso – Em pronunciamento de pouco mais de uma hora no Senado, Conte afirmou que a crise política é “incompreensível” para quem está com medo da pandemia e do espectro do empobrecimento e com angústia em relação ao futuro”.   

“É complicado governar com quem mina continuamente um equilíbrio político pacientemente construído pelas forças de maioria”, disse o premiê, em recado a Renzi.   

O primeiro-ministro ainda reiterou que a Itália precisa “virar a página” e merece um “governo coeso, dedicado inteiramente a trabalhar pelo bem-estar dos cidadãos e para estimular o recomeço de nossa vida social e da economia”.   

Advogado de carreira, Conte é premiê desde 1º de junho de 2018, primeiro chefiando uma coalizão entre o M5S e a ultranacionalista Liga e, a partir de setembro de 2019, em uma aliança do movimento antissistema com legendas de centro-esquerda.   

Além do M5S, ele tem hoje o apoio do social-democrata Partido Democrático (PD) e de pequenas legendas de esquerda, de minorias linguísticas ou dos italianos no exterior, além de representantes do chamado “grupo misto”.

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