Proposta dos EUA e França de rever acordo com Irã é rechaçada

O presidente iraniano Hassan Rohani foi o primeiro a reagir, afirmando que Trump e Macron não têm o direito de rever um acordo concluído depois de negociações entre sete países

O presidente iraniano Hassan Rohani foi o primeiro a reagir, afirmando que Trump e Macron não têm o direito de rever um acordo concluído depois de negociações entre sete países
O presidente iraniano Hassan Rohani foi o primeiro a reagir, afirmando que Trump e Macron não têm o direito de rever um acordo concluído depois de negociações entre sete países (Foto: Reinaldo)

247, com agências - Enquanto Donald Trump e Emmanuel Macron expressaram o desejo de trabalhar conjuntamente por um novo acordo nuclear com o país persa, o Irã, a Rússia, a União Europeia e a Alemanha expressaram seu descontentamento com o anúncio feito por Donald Trump e Emmanuel Macron ao final da visita de Estado do presidente francês aos EUA nesta quarta-feira (25).

Trump considerou "ridículo" e "desastroso" o acordo concluído por seu antecessor, Barack Obama.

"Nós desejamos poder trabalhar doravante por um novo acordo com o Irã", disse Macron, supostamente como alternativa a uma eventual decisão de Trump de abandonar o acordo. O acordo com o Irã foi concluído em 2015 após anos de negociações entre o país persa e o grupo 5 + 1 (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia).

A reação de Teerã foi imediata. "Os EUA, com um líder de um país europeu, dizem: 'queremos decidir sobre um acordo concluído por sete países'. Por que fazer isso? Com que direito"? - questionou o presidente iraniano Hassan Rohani.

"Com este acordo, derrubamos as acusações contra o Irã e provamos que há décadas os Estados Unidos e Israel mentem a propósito do Irã", enfatizou. Aludinido a Trump sem citar seu nome, Rohani disse: "Você é um homem de negócios (...) Você não tem nenhuma expertise em política nem em matéria de direito ou acordos internacionais. Um comerciante, um homem de negócios, construtor de torres, como poderia emitir um julgamento sobre assuntos internacionais?".

Por seu turno, Dimitri Peskov, porta-voz do Kremlin foi claro: "Nós somos a favor de que o acordo seja preservado como está. Consideramos que no momento não há alternativa a ele".

A refutação às declarações de Trump e Macron veio também de Bruxelas. "O acordo atual deve ser preservado", reagiu a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini. Uma posição compartilhada pela Alemanha: "Nossa posição é clara: nossa prioridade absoluta é a manutenção do acordo nuclear e sua aplicação por todas as partes", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. "O acordo nuclear foi negociado por sete países e pela União Europeia e não pode ser renegociado".

Ao vivo na TV 247 Youtube 247