Rei da Espanha inicia consultas para decidir sobre futuro governo
O monarca será o encarregado de propor um candidato a submeter aos debates no Congresso dos Deputados
Prensa Latina - O rei da Espanha, Felipe VI, realizou hoje a primeira rodada de consultas com grupos políticos, focadas em uma possível investidura de um novo governo.
Este é o início da corrida ao Palácio da Moncloa (sede do Executivo), depois de Sua Majestade ter recebido a nova presidente do Congresso, Francina Armengol, na semana anterior.
No Palácio da Zarzuela, residência da família real, estabeleceu esta segunda-feira os primeiros diálogos com delegados de organizações com representação parlamentar, para depois decidir quem irá propor para chefiar o Governo.
Embora se saiba que as reuniões cruciais serão na terça-feira (22), Felipe VI deve medir o pulso das tendências de todos os grupos, exceto três que recusaram as entrevistas devido aos seus perfis pró-independência, ERC e Junts de Catalunya, e EH Bildu.
Os dois principais partidos políticos, o Socialista Operário Espanhol (PSOE), com maioria no Executivo em exercício liderado por Pedro Sánchez; e o conservador Partido Popular (PP), liderado por Alberto Núñez Feijóo.
Cruzamentos de espadas e lobby dominam o ambiente, principalmente nos últimos 10 dias. Logo de início, a esquerda saiu ilesa do seu primeiro teste, ao conseguir que Armengol (socialista) assumisse as rédeas do Congresso dos Deputados, derrotando o candidato do PP, Cuca Gamarra.
São as duas organizações com possibilidade de formar Governo, mas de forma muito estanque. Sánchez, com o PSOE, conquistou 121 assentos nas eleições gerais. A vitória na Câmara baseia-se, no entanto, em pactos com os independentistas de Junts por Catalunya, do fugitivo da justiça Carles Puigdemont, e teme-se que tenha de fazer concessões para obter a investidura.
Núñez Feijóo, por sua vez, goza do favor de 137 cadeiras, mas não tem maioria para governar e apesar de concordar com o Vox (33 cadeiras) e algumas pequenas formações, alcançaria apenas 172 dos 176 necessários para a maioria absoluta.
Sánchez, com o apoio de Junts, conseguiria 178, mas o custo político pode tornar a legislatura bastante incerta e de curta duração.
Como seria de se esperar, a UPN (Navarra) e o CC (Ilhas Canárias) manifestaram o seu apoio à proposta de Núñez Feijóo, enquanto o PNV (País Basco) e o Sumar (coligação de esquerda de 16 partidos), à proposta de Sánchez.
Amanhã (22), Felipe VI conversará pela manhã com o presidente do partido de extrema-direita Vox, Santiago Abascal, e depois com o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez.
À tarde encerrará suas reuniões com um encontro com o presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo.
Será o monarca, após alguns dias de reflexão, o encarregado de designar um candidato a submeter aos debates de investidura no Congresso dos Deputados.
O candidato precisaria de maioria absoluta para se tornar o próximo ocupante da Moncloa, ou vencer por maioria simples na segunda votação.
