Relator da ONU denuncia intimidação de Bretas contra advogados

Relator da ONU sobre Independência do Judiciário, Diego Garcia-Sayan, questionou o governo brasileiro sobre as operações policiais contra advogados e a imparcialidade do juiz Marcelo Bretas, após o magistrado autorizar em setembro uma ação da PF contra escritórios de advocacia

Diego Garcia-Sayan e Marcelo Bretas
Diego Garcia-Sayan e Marcelo Bretas (Foto: ABr)
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247 - Em uma carta enviada ao governo brasileiro, o relator da ONU sobre Independência do Judiciário, Diego Garcia-Sayan, questionou as operações desencadeadas contra advogados e  a imparcialidade do juiz Marcelo Bretas e sua aproximação com Jair Bolsonaro. 

Segundo reportagem do blog do jornalista Jamil Chade, o documento foi protocolado na segunda-feira (19) e o governo não se pronunciou até o momento. Na carta, Garcia-Sayan questiona as ações da Polícia Federal, autorizadas por Bretas, contra diversos advogados, incluindo Cristiano Zanin, que atua na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

“Estou alarmado com uma aparente estratégia de alguns promotores e juízes de intimidar advogados por fazerem seu trabalho, particularmente quando estes defendem políticos", escreveu o relator da ONU no documento. 

"Parece que os advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins foram visados como parte desta estratégia coordenada", ressaltou. "A forma espetacular como a polícia realizou as buscas - com ampla cobertura de jornalistas que haviam sido avisados previamente - parece ser parte de uma estratégia destinada a desacreditar os advogados diante de seus pares, clientes e o público em geral", avaliou Garcia-Sayan, segundo a reportagem. 

Ele também citou as supostas ligações entre Marcelo Bretas e Jair Bolsonaro ao destacar que "em 17 de setembro, o Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu por esmagadora maioria - por votação a 12 contra 1 - que o apoio aberto demonstrado pelo juiz ao Presidente do Brasil era incompatível com suas obrigações profissionais”.

O relator também destacou  que para manter a confiança no sistema judicial “é necessário que os juízes se abstenham de qualquer atividade política que possa comprometer sua independência ou comprometer a aparência de imparcialidade”.

Os questionamentos foram feitos poucos dias depois que os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira denunciaram os supostos abusos cometidos por autoridades à ONU. 

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