Reunião da ASEAN é palco de disputa estratégica entre EUA e China

O secretário de Estado dos Estados Unidos, chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, se reuniu nesta quinta-feira (1º/8) com seu colega chinês Wang Yi em Bangcoc, onde tenta implantar a estratégia do governo Trump para neutralizar a influência da China na Ásia

(Foto: Reuters)

AFP - O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, se reuniu nesta quinta-feira (1º/8) com seu colega chinês Wang Yi em Bangcoc, onde tenta implantar a estratégia do governo Trump para neutralizar a influência da China na Ásia.

A desnuclearização da Coreia do Norte é outra questão que será discutida até sexta-feira na capital tailandesa, onde se realizam reuniões ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O encontro bilateral com o chanceler chinês ocorre em meio à guerra comercial entre as duas grandes potências, cuja última rodada de discussões na quarta-feira terminou sem progresso real.

No entanto, os dois homens simularam publicamente querer acalmar as tensões, parabenizando-se mutuamente.

"Quando serve aos interesses americanos, estamos prontos para cooperar com a China", tuitou Mike Pompeo ao final da reunião.

Pompeo assegurou que os Estados Unidos "nunca" pediram aos países do Sudeste Asiático "que escolhessem" entre Washington e Pequim.

"Nossos interesses simplesmente convergem naturalmente com os deles", acrescentou aos dez membros da ASEAN (Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Filipinas, Brunei, Vietnã, Laos, Mianmar e Camboja).

Mike Pompeo "disse muito claramente que nem o presidente (Donald) Trump nem a administração americana pretendem conter o desenvolvimento da China", declarou Wang Yi.

No dia anterior, ele advertiu "os países que não pertencem à região" a não semear "desconfiança entre a China e os membros da ASEAN".

No entanto, a delegação americana pretende impulsionar em Bangcoc sua estratégia em favor de uma "região livre e pacífica".

Os Estados Unidos veem com preocupação as ambições militares chinesas, especialmente no Mar da China Meridional, e os projetos de infraestruturas de Pequim, com os quais suspeitam que o país busca expandir sua influência na região.

Por outro lado, Mike Pompeo tentou minimizar a ideia de que um número crescente de países está se voltando para a China.

"Temos grandes relações comerciais" com os membros da ASEAN, disse ele a repórteres, incluindo um da AFP no avião que o levou para a Ásia.

Pompeo também planejava emitir uma advertência ao ministro chinês sobre a questão de Hong Kong, que atravessa a pior crise de sua história recente, com gigantescas manifestações pró-democracia contra o governo local apoiado por Pequim.

As duas autoridades, porém, não comentaram publicamente sobre esta questão após a reunião bilateral.

"São cidadãos de Hong Kong que pedem ao seu governo para ouvi-los. É sempre bom que todo governo ouça seu povo", disse Pompeo na véspera da reunião, julgando "ridículas" as acusações daqueles na China que veem os Estados Unidos por trás dos protestos.

Prova de que Washington também espera aproveitar essas reuniões regionais para promover a questão da Coreia do Norte, o negociador americano Stephen Biegun também está presente em Bangcoc.

"Se os norte-coreanos aparecerem, espero ter a oportunidade de me encontrar com o ministro das Relações Exteriores, Ri Yong Ho. Seria ótimo", disse Pompeo.

Trump e o líder norte-coreano Kim Jong Un se encontraram três vezes, a última em um encontro histórico no final de junho na Zona Desmilitarizada que divide a península coreana. No entanto, nenhuma data foi definida para relançar as discussões sobre a questão nuclear.

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