Rui Costa Pimenta: golpistas da Venezuela deveriam ser presos

"O governo não pode admitir um golpe de Estado", disse o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, à TV 247; ele também comentou diversos pontos da entrevista concedida por Lula da prisão e avaliou que as falas do ex-presidente são diretrizes para a esquerda brasileira; assista

Rui Costa Pimenta: golpistas da Venezuela deveriam ser presos
Rui Costa Pimenta: golpistas da Venezuela deveriam ser presos

247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, comentou a tentativa de golpe de Estado na Venezuela na última semana liderada pelo opositor Juan Guaidó contra o governo do presidente democraticamente eleito Nicolás Maduro.

Apesar das pressões norte-americanas, que apoiam Guaidó, e das pressões internas do país, Rui Costa Pimenta defendeu a prisão dos golpistas pelo governo venezuelano. "O governo do Maduro deveria mandar prender todo mundo que está envolvido no golpe de Estado, o governo não pode admitir um golpe de Estado, isso foi uma clara tentativa de golpe. O governo deveria agir e ignorar um pouco essa opinião e tomar medidas".

Para o presidente do PCO, as Forças Armadas da Venezuela estão unidas, porém, podem se voltar contra MAduro caso sintam que o presidente está perdendo o controle da situação. "Se uma parte dos militares sentir que o governo está perdendo o pé da situação a coisa pode ficar ruim dentro das Forças Armadas. Eu não tenho uma noção precisa de como são as coisas dentro das Forças Armadas, mas não há dúvida nenhuma, é muita gente, não dá para você ter uma homogeneidade ideológica muito grande. Há um setor que domina, imagino que haja muita gente nos quartéis que seja favorável ao Chavismo, mais isso pode mudar e até uma minoria pode tomar conta se o outro lado perder um pouco o controle da situação". Rui ainda aproveitou para classificar a posição brasileira, favorável ao golpe. "O papel do Brasil nisso é uma coisa muito vergonhosa".

Rui Costa Pimenta também repercutiu a entrevista do ex-presidente Lula e relembrou a opinião do ex-presidente sobre a Venezuela. "Achei muito importante e relevante a colocação dele sobre a Venezuela, falou que foi o ponto mais baixo da política exterior brasileira em séculos, e que é verdade, o Brasil, na questão venezuelana, atua como um capacho dos Estados Unidos para uma agressão ao país vizinho. Destacou que o Brasil não tem nada a ganhar com isso, o que é uma realidade, principalmente porque há setores que se dizem de esquerda que ficam pisando em ovos quando se trata da Venezuela".

Para ele, a fala do ex-presidente contra o atual governo brasileiro e a favor de uma mobilização popular foi um dos destaques da entrevista. "Primeiro ele falou que o governo é um 'bando de malucos', é uma frase de efeito, muita gente destacou. Se você fala que esse governo é um bando de maluco, que o país está sendo muito prejudicado, as críticas que ele fez ao governo foram extremamente duras, principalmente levando em consideração que é o próprio Lula que está falando, é uma diretriz, contraria toda uma tendência que existe nesse momento de indecisão e até de conciliação com o bolsonarismo. Ele se colocou a favor de uma mobilização, quer dizer, não é atividade parlamentar ou institucional. Ele, inclusive, mais do que outros dirigentes do PT, já percebeu que desse ponto de vista não vai acontecer nada. Eu achei um ponto importante essa demarcação de que é preciso lutar e se mobilizar contra o governo Bolsonaro".

Rui Costa Pimenta também destacou o trecho da entrevista em que Lula fala da participação dos Estados Unidos em sua condenação. "Outro ponto que eu destacaria, que acho muito importante, é a denúncia da participação do imperialismo na condenação dele, a intromissão da Justiça norte-americana, ou seja, do governo norte-americano no Brasil, particularmente na condenação dele e denunciou o Moro e o Dallagnol como farsantes".

Para o presidente do PCO, as falas de Lula são diretrizes para a esquerda brasileira. "São três questões que deveriam guiar, na minha opinião, a ação da esquerda na luta política do momento. A luta contra o Bolsonaro e a mobilização popular, é um governo de malucos mesmo, essa é uma orientação importante. A questão da Venezuela, um posicionamento ao lado dos países que estão sendo atacados pelo imperialismo, inclusive o Brasil nesse caso. E em terceiro lugar o problema da Lava Jato, se for para levar a sério, e eu acho que deveria, a colocação do Lula, precisaria que a esquerda abrisse uma campanha dura contra a Lava Jato, coisa que não foi feita até agora".

Lembrando que a Rede Globo ignorou a entrevista de Lula, Rui Costa Pimenta disse que a emissora agiu como fez com a campanha das Diretas Já. "Eles já fizeram isso muitas vezes, eles tentaram esconder as campanhas das Diretas, que era uma campanha que nesses últimos anos a gente não viu nada parecido. Eu acho que o que acontece hoje é que o mesmo truque produz resultados diferentes, daí vem a crise da Globo, há uma crise muito grande. Talvez hoje seja até maior do que no período final da ditadura, no período do governo Sarney".

Outro ponto analisado pelo presidente do PCO foi o ato do dia 01 de maio. Ele criticou as falhas da organização do protesto mas ressaltou a importância da participação da população. Acho que todo mundo deveria ir ao ato, uma coisa é a crítica que a gente possa fazer à organização do ato e outra coisa é você ir lá e lutar por reivindicações, que são legítimas. Não tenho simpatia nenhuma pela Força Sindical mas o PCO vai ao ato, vai em todos os atos que acontecerem no país. Só que eu acho que o ato tem muitas deficiências, a tal da unidade, que na minha opinião não é um acontecimento, custa caro porque no ato, por exemplo, a liberdade do Lula foi excluída da pauta de reivindicações, eu acho absurdo".

Para Rui, a bandeira do ato deveria ter sido contra Bolsonaro. "Não adianta ficar só no terreno das reivindicações econômicas, isso não vai levar o movimento adiante. Temos que prestar atenção nas tendências do desenvolvimento da luta, existe uma camada enorme da população que é contra a reforma da Previdência, mas isso não tem gerado uma mobilização, talvez a camada que seja favorável ao 'fora Bolsonaro' seja um pouco menor do que essa contra a reforma, mas talvez estejam mais mobilizados em torno desse problema".

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