Rússia: ação americana beira a conivência com o Estado Islâmico

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou um comunicado severo após 24 horas de enfrentamentos diplomáticos na sequência do ataque alegadamente "não intencional" dos EUA em Deir ez-Zor, que matou 80 soldados sírios e "abriu o caminho" para uma nova ofensiva do Daesh na Síria; segundo o País comandado por Vladimir Putin, EUA, ao contrário do que dizem, fortalecem o Estado Islâmico

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro em Moscou. 17/11/2015 REUTERS/Alexei Nikolskyi/SPUTNIK/Kremlin
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro em Moscou. 17/11/2015 REUTERS/Alexei Nikolskyi/SPUTNIK/Kremlin (Foto: Leonardo Attuch)

Da Agência Sputinik – A chancelaria russa reforçou neste domingo (18) as sugestões de que os EUA podem estar ajudando os terroristas do Daesh (autodenominado Estado Islâmico) na Síria, após a coalizão liderada pelos norte-americanos ter atingido posições das tropas sírias apenas alguns dias após o início do cessar-fogo intermediado por Washington e Moscou.

"A ação dos pilotos da coalizão – se eles, como esperamos, não estavam cumprindo uma ordem de Washington – está no limite entre a negligência criminosa e a conivência com os terroristas do Estado Islâmico", disse o Ministério das Relações Exteriores russo.

A linguagem usada no comunicado ecoa declarações do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia que, no sábado, sugeriu que a "Casa Branca está defendendo o Daesh", como tem supostamente defendido os terroristas da al-Nusra, não fazendo distinções entre os jihadistas e a chamada oposição moderada.

"Exortamos fortemente Washington a exercer a pressão necessária sobre os grupos armados ilegais sob o seu patrocínio a fim de implementar o plano de cessar-fogo incondicionalmente. Caso contrário, a execução de todo o pacote dos acordos EUA-Rússia alcançados em Genebra em 9 de setembro pode ser prejudicada", acrescentou a chancelaria russa.

A escalada da retórica de Moscou acompanha os comentários do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que disse que a Rússia teria culpa por não fazer mais para apoiar o cessar-fogo, e que o país deveria "parar com a arrogância, parar com o exibicionismo e fazer chegar a assistência humanitária".

A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, também fez observações semelhantes em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas no sábado (17), tentando aliviar a responsabilidade da coalizão liderada pelos EUA no ataque a Deir ez-Zor e jogando-a para a Rússia e a Síria.

Os EUA também provocaram a ira da Rússia diplomaticamente nas últimas 24 horas, depois que o Comando Central dos EUA, ao passo em que reconhecia que o ataque às tropas sírias havia sido “acidental”, alegava ao mesmo tempo que a Rússia havia sido notificada previamente a respeito da região que seria atacada pela coalizão – algo que o Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia negaram categoricamente ter acontecido.

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