Rússia reagirá às ações dos EUA após o abandono de tratado de armas nucleares

O presidente russo, Vladimir Putin, determinou nesta sexta-feira (23) que sejam tomadas as medidas necessárias em resposta às ações dos Estados Unidos após a retirada de Washington do Tratado sobre a Eliminação de Mísseis de Curto e Médio Alcance (INF, na sigla em inglês)

Prensa Latina - O presidente russo, Vladimir Putin, determinou nesta sexta-feira (23) que sejam tomadas as medidas necessárias em resposta às ações dos Estados Unidos após a retirada de Washington do Tratado sobre a Eliminação de Mísseis de Curto e Médio Alcance (INF, na sigla em inglês). 

"Eu ordeno que o Ministério da Defesa da Rússia, o Ministério das Relações Exteriores e outros departamentos específicos que analisem o nível de ameaça criado pelas ações dos Estados Unidos ao nosso país e tomem as medidas abrangentes para preparar uma resposta simétrica", disse Putin na reunião do Conselho de Segurança da Rússia.   

Ele lembrou que Washington organizou toda uma campanha de desinformação contra a Rússia, acusando-a de violações do Tratado INF, para mascarar o verdadeiro objetivo de desmantelar esse acordo e desenvolver novos mísseis.  

O presidente russo advertiu que os Estados Unidos realizaram o teste com seu novo míssil de cruzeiro apenas 16 dias após a retirada oficial do pacto, em 2 de agosto. 

Ele disse que as ações da Casa Branca não eram "uma improvisação, mas um outro elemento de uma cadeia de eventos que haviam sido planejados e executados com antecedência".  

Putin indicou que a Rússia estava ciente de que o complexo militar dos EUA estava desenvolvendo armas sujeitas a restrições sob o Tratado INF e notificou os EUA sobre isto.   

No entanto, "em vez de alterar essa situação intolerável e retomar o cumprimento do acordo, os Estados Unidos orquestraram uma campanha de propaganda sobre a alegada violação de suas cláusulas pela Rússia".  

O presidente russo disse que "está claro para todos que o único objetivo era cobrir o que Washington estava fazendo contra o acordo e que desde o início pretendia abandoná-lo", publicou o Sputnik.  

Para Putin, os Estados Unidos planejaram "livrar-se das restrições impostas, para permanecer livre para implantar mísseis anteriormente proibidos em várias partes do mundo".  

Ele ressaltou que, de acordo com políticos americanos de alto escalão, os novos sistemas poderiam inicialmente estar localizados na Ásia-Pacífico, "o que afeta nossos interesses vitais porque a região está próxima das fronteiras da Rússia".  

Apesar do teste do sistema MK-41, conduzido pelos Estados Unidos no último domingo na Califórnia, o presidente russo reiterou que o Kremlin continua aberto ao diálogo com a Casa Branca para restaurar a confiança e fortalecer a segurança internacional.  

"A Rússia continua aberta a um diálogo construtivo e igual com os EUA para restaurar a confiança e fortalecer a segurança internacional", disse Putin na reunião do Conselho de Segurança.  

Ele insistiu que a Rússia nunca quis, não quer e não vai se envolver em uma corrida armamentista, "cara e prejudicial" para sua economia.  O presidente russo disse que a retirada de Washington do Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM) forçou a Rússia a desenvolver novos tipos de armas.  

Ele ressaltou que, nesta situação, o governo russo foi forçado a garantir a segurança de seu povo e de seu país. "Estamos fazendo isso agora e, claro, continuaremos a fazê-lo no futuro", disse ele.  Os Estados Unidos e a União Soviética assinaram o Tratado ABM em 1972 para limitar o número de mísseis balísticos, mas em 2002 Washington se retirou do pacto unilateralmente.  

Segundo o Kremlin, a retirada de Washington desse pacto pôs em risco a dissuasão nuclear.

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