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Trump diz que não há pressa para fechar acordo com Irã: "não pode haver erros"

Negociações entre EUA e Irã avançam. Bloqueio no Estreito de Ormuz seguirá até acordo final

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evan Vucci)
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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que não pretende apressar um acordo com o Irã, apesar dos sinais de avanço nas negociações com Teerã e da expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás natural liquefeito, relata a Reuters.

Trump declarou que orientou seus representantes a não fecharem um entendimento de forma precipitada, em um movimento que reduziu as expectativas de um avanço iminente nas tratativas para encerrar a guerra de três meses. Segundo ele, o bloqueio dos EUA a navios iranianos no Estreito de Ormuz “permanecerá em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”.

Em publicação na Truth Social, o presidente norte-americano disse que as negociações estão avançando e que a relação entre Washington e Teerã se tornou mais profissional e produtiva. Ainda assim, advertiu que o processo deve ser conduzido com cautela. “Ambos os lados devem tomar seu tempo e fazer isso direito. Não pode haver erros!”, escreveu.

Um dia antes, Trump havia afirmado que Estados Unidos e Irã tinham “largamente negociado” um memorando de entendimento sobre um acordo de paz que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz. Antes do conflito, a passagem concentrava cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Ao longo da guerra, iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, Trump tem repetido que um acordo para encerrar o conflito estaria próximo, embora as tentativas anteriores não tenham produzido resultado. Não ficou claro se a declaração deste domingo se referia ao memorando inicial em discussão ou a um acordo de paz mais amplo, considerado mais difícil e demorado.

As duas partes seguem distantes em temas centrais. Entre os principais pontos de divergência estão o programa nuclear iraniano, a exigência de Teerã pela suspensão de sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas de petróleo iraniano bloqueadas em bancos estrangeiros.

Veículos de imprensa nos Estados Unidos e no Irã vinham noticiando que o memorando em negociação estabeleceria uma estrutura para encerrar meses de combates, suspender o bloqueio norte-americano aos navios iranianos e reabrir a via marítima. O Estreito de Ormuz foi fechado pelo Irã em meio a ameaças de ataques a embarcações.

Uma fonte iraniana sênior disse anteriormente à Reuters que, caso o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã aprove o memorando, o texto será encaminhado ao líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, para decisão final. A agência iraniana Tasnim, no entanto, informou que ainda havia divergências sobre uma ou duas cláusulas. Segundo a agência, uma fonte afirmou que não haverá entendimento final se os EUA continuarem criando obstáculos.

Outro possível entrave surgiu com a declaração de um assessor militar de Khamenei, que disse que Teerã tem o direito legal de administrar o Estreito de Ormuz. Não ficou claro se isso significa que o Irã pretende continuar decidindo quais navios podem atravessar a passagem.

Um eventual acordo para consolidar o cessar-fogo frágil traria alívio aos mercados, mas não resolveria imediatamente a crise energética global, que elevou custos de combustíveis, fertilizantes e alimentos. Mesmo que a guerra termine agora, o fluxo pleno pelo estreito não deve ser restabelecido antes do primeiro ou do segundo trimestre de 2027, segundo avaliação feita na semana passada pelo chefe da Abu Dhabi National Oil Company.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que 33 embarcações passaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas após receberem autorização de Teerã. O número ainda está muito abaixo da média anterior à guerra, de cerca de 140 navios por dia.

Trump voltou a justificar a ação militar norte-americana com o argumento de impedir que o Irã obtenha armas nucleares. “O Irã deve entender, no entanto, que não pode desenvolver ou obter uma arma nuclear ou bomba”, escreveu o presidente dos EUA.

Teerã nega há anos buscar armas nucleares e afirma ter direito ao enriquecimento de urânio para fins civis. Ainda assim, o grau de pureza alcançado pelo país está muito acima do necessário para geração de energia.

Fontes ouvidas pela Reuters disseram que a estrutura proposta deve ser implementada em três etapas: fim formal da guerra, resolução da crise no Estreito de Ormuz e abertura de uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, com possibilidade de prorrogação.

A guerra também afetou a popularidade de Trump nos Estados Unidos, especialmente devido ao impacto sobre os preços da energia. Na sexta-feira, ele afirmou que não compareceria ao casamento de seu filho no fim de semana, citando o Irã entre os motivos para permanecer em Washington.

No sábado, Trump conversou com líderes da Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Egito, Turquia e Paquistão, que o incentivaram a aceitar a estrutura de acordo em formação, segundo informou o Axios.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou no sábado que “a tendência nesta semana foi de redução das divergências, mas ainda há questões que precisam ser discutidas por meio de mediadores”.

Baghaei disse que o bloqueio dos EUA à navegação iraniana é um tema importante, mas ressaltou que a prioridade de Teerã é o fim da ameaça de novos ataques norte-americanos e do conflito paralelo no Líbano.

Os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã mataram milhares de pessoas no país antes de serem suspensos por um cessar-fogo no início de abril. Israel também matou milhares de pessoas e deslocou centenas de milhares de moradores no Líbano, invadido em meio à ofensiva contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Ataques iranianos contra Israel e países vizinhos do Golfo mataram dezenas de pessoas.

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