EMS cobra prioridade para inovação feita no Brasil
Presidente da EMS pede prioridade regulatória para inovação nacional e critica estímulo à importação de tecnologia em vez da pesquisa local
247 - O presidente do Grupo EMS, Carlos Sanchez, afirmou que o Brasil precisa deixar de atuar apenas como importador ou reprodutor de tecnologias estrangeiras e passar a proteger a inovação desenvolvida no país. No Fórum Esfera, no Guarujá, ele defendeu medidas para transformar pesquisa nacional em produtos de alto valor agregado. As informações são do Brazil Stock Guide.
Segundo Sanchez, a EMS começou fortemente associada ao mercado de medicamentos genéricos, mas ampliou sua atuação para inovação, pesquisa e desenvolvimento. O executivo disse que a companhia reúne hoje mais de 300 doutores e mestres, profissionais que poderiam estar em universidades ou no exterior, mas trabalham no desenvolvimento tecnológico dentro da empresa.
A principal crítica do presidente do Grupo EMS se concentrou no ambiente regulatório. Sanchez afirmou que produtos criados no Brasil não recebem vantagem de análise na Anvisa em relação a medicamentos importados. Na prática, um concorrente estrangeiro pode ser aprovado antes caso protocole o pedido primeiro, mesmo sem gerar pesquisa local.
Para o executivo, essa lógica reduz o estímulo à inovação brasileira e enfraquece a capacidade do país de converter conhecimento científico em desenvolvimento econômico. Sanchez defendeu que a inovação só se transforma em riqueza quando chega ao mercado.
Entre os exemplos citados, o presidente da EMS mencionou a tecnologia dos peptídeos, usada nas chamadas canetinhas farmacêuticas. De acordo com ele, a empresa desenvolveu domínio sobre toda a cadeia produtiva, da matéria-prima ao produto final, capacidade restrita a poucas companhias no mundo.
Sanchez também defendeu mudanças nas regras de precificação de produtos inovadores. Para ele, medicamentos desenvolvidos com pesquisa nacional devem ser tratados como ativos estratégicos, com processos capazes de reconhecer o investimento científico realizado no Brasil.



