2018: começa a luta pela volta da democracia

O Brasil inicia um dos momentos mais importantes de sua história, que terá o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como grande protagonista; de um lado, estão as forças democráticas e os maiores intelectuais do País, que defendem o direito de Lula ser candidato em 2018; de outro, interesses internacionais, que se aliaram a grupos de mídia e setores do Poder Judiciário, para fazer avançar a agenda de retrocessos do golpe de 2016, que já abriu espaço para a entrega das riquezas nacionais e o ataque aos direitos dos trabalhadores; o desfecho dessa batalha será decisivo para as próximas gerações

Lula no Nordeste
Lula no Nordeste (Foto: Leonardo Attuch)

247 – O ano de 2018, todos sabem, será decisivo para o futuro do Brasil. Já em janeiro, no dia 24, em Porto Alegre, o Tribunal Regional Federal da quarta região deverá condenar o ex-presidente Lula, em segunda instância, dando sequência a um golpe iniciado ainda em 2014, quando a presidente deposta Dilma Rousseff foi reeleita.

Naquele momento, os políticos mais corruptos do País se aliaram ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas urnas, para levar adiante um projeto de quebra do pacto democrático. Desde então, os resultados foram desastrosos. O desemprego saltou de 6% para 12% e, desde que Michel Temer, produto deste golpe, assumiu a presidência, a agenda de retrocessos se intensificou, com o ataque aos direitos dos trabalhadores e a entrega do pré-sal – maior descoberta do petróleo do século 21 – a grupos internacionais.

Agora, o Brasil inicia um dos momentos mais importantes de sua história, que terá o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como grande protagonista. De um lado, estão as forças democráticas e os maiores intelectuais do País, que defendem o direito de Lula ser candidato em 2018. De outro, interesses internacionais, que se aliaram a grupos de mídia e setores do Poder Judiciário, para consolidar o golpe.

O desfecho dessa batalha será decisivo para as próximas gerações. Uma eleição sem Lula consolidaria de vez a destruição da democracia brasileira, em que as eleições passariam a ser apenas um simulacro de participação popular, controlado por elites antinacionais e golpistas. Por isso, o manifesto "Eleição sem Lula é fraude" hoje é tão importante.

Leia abaixo o manifesto e acesse aqui para assinar:

A tentativa de marcar em tempo recorde para o dia 24 de janeiro a data do julgamento em segunda instância do processo de Lula nada tem de legalidade. Trata-se de um puro ato de perseguição da liderança política mais popular do país. O recurso de recorrer ao expediente espúrio de intervir no processo eleitoral sucede porque o golpe do Impeachment de Dilma não gerou um regime político de estabilidade conservadora por longos anos.

O plano estratégico em curso, depois de afastar Dilma da Presidência da República, retira os direitos dos trabalhadores, ameaça a previdência pública, privatiza a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos, além de abandonar a política externa ativa e altiva.

A reforma trabalhista e o teto de gastos não atraíram os investimentos externos prometidos, que poderiam sustentar a campanha em 2018 de um governo alinhado ao neoliberalismo. Diante da impopularidade, esses setores não conseguiram construir, até o momento, uma candidatura viável à presidência.

Lula cresce nas pesquisas em todos os cenários de primeiro e segundo turno e até pode ganhar em primeiro turno. O cenário de vitória consagradora de Lula significaria o fracasso do golpe, possibilitaria a abertura de um novo ciclo político.

Por isso, a trama de impedir a candidatura do Lula vale tudo: condenação no tribunal de Porto Alegre, instituição do semiparlamentarismo e até adiar as eleições. Nenhuma das ações elencadas estão fora de cogitação. Compõem o arsenal de maldades de forças políticas que não prezam a democracia.

Uma perseguição totalmente política, que só será derrotada no terreno da política. Mais que um problema tático ou eleitoral, vitória ou derrota nessa luta terá consequências estratégicas e de longo prazo.

O Brasil vive um momento de encruzilhada: ou restauramos os direitos sociais e o Estado Democrático de Direito ou seremos derrotados e assistiremos a definitiva implantação de uma sociedade de capitalismo sem regulações, baseada na superexploração dos trabalhadores. Este tipo de sociedade requer um Estado dotado de instrumentos de Exceção para reprimir as universidades, os intelectuais, os trabalhadores, as mulheres, a juventude, os pobres, os negros. Enfim, todos os explorados e oprimidos que se levantarem contra o novo sistema.

Assim, a questão da perseguição a Lula não diz respeito somente ao PT e à esquerda, mas a todos os cidadãos brasileiros. Como nunca antes em nossa geração de lutadores, o que se encontra em jogo é o futuro da democracia.

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