A apoteose de Dilma

Seu grande momento ainda vai acontecer e será daqui a um ano, na passagem de meio século do golpe militar de 1964

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A presidente Dilma Rousseff hoje vive nas alturas. Com mais de 70% de aprovação popular, 58% no Datafolha e um potencial de votos que chega a 76%, ela alcançou um padrão de popularidade inédito na história do País até mesmo para os padrões lulistas. 

Seu sucesso de público, bem maior do que a de crítica (ao menos, na mídia tradicional), não decorre apenas da herança bendita deixada por Lula. É resultado também de marcas próprias, como a "faxina ética" e a imagem de "Mãe Dilma", que se preocupa com o bolso do eleitor em questões práticas do cotidiano, como a conta de luz, o financiamento da casa própria e o preço da cesta básica, sem falar, agora, no FGTS e no adicional noturno para as milhões de brasileiras que realizam serviços domésticos.

Material de embalagem para o "produto Dilma", portanto, haverá de sobra para as mãos habilidosas do marqueteiro João Santana. Mas se tudo isso não bastasse, ele terá ainda um ás de ouros na manga para construir o instante mágico de Dilma daqui a um ano, quando o calendário estiver marcando a passagem de 50 anos do regime militar.

Seja em 31 de março de 2014, ou em Primeiro de Abril, data real do golpe, Dilma terá o momento ideal para entregar à sociedade todos os resultados da Comissão da Verdade. A seis meses das eleições presidenciais, o Brasil poderá acertar as contas com seu passado, justamente no governo de uma mulher que foi perseguida, torturada e presa pelo regime. Uma sobrevivente.

Não é difícil imaginar, portanto, o que João Santana poderá fazer com a imagem da jovem Dilma que, altiva, mostrava o rosto e mirava o futuro, enquanto oficiais militares que a interrogavam se escondiam das lentes fotográficas. Dilma terá sua apoteose e, aos olhos do público, parecerá ser uma mulher predestinada. O que talvez seja.

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