A espinhosa missão de Eduardo Campos

Rompido com o PT em importantes capitais, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB assegura que a aliança nacional entre as legendas permanece inabalada; mas até mesmo o ex-presidente Lula, que sempre o viu como um grande aliado histórico, começa a desconfiar de suas verdadeiras intenções; Será que dá para contornar? 

A espinhosa missão de Eduardo Campos
A espinhosa missão de Eduardo Campos (Foto: Arlette Pedraglio/BID)
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Gilberto Prazeres _PE247 – Com as diversas crises regionais entre o PT e o PSB instaladas, o projeto nacional do governador de Pernambuco e presidente dos socialistas, Eduardo Campos, tem sido, a todo momento, apontado como principal válvula dessas rupturas. No entanto, o gestor, que prefere não se prolongar publicamente sobre o assunto, garante que nada do que vem sendo dito procede, assegurando que aliança entre as duas legendas, no governo da presidente Dilma Rousseff, segue inabalada. Será mesmo? Para o ex-ministro José Dirceu e, principalmente, para os candidatos petistas que disputam contra o PSB em suas respectivas cidades, não. O que deixa o gestor pernambucano numa situação de desconforto até mesmo com o maior cardeal da legenda, o ex-presidente Lula. Dá para contornar?

A resposta para a pergunta acima não é das mais simples, uma vez que Campos, desde que assumiu o Governo de Pernambuco em 2007, ainda não havia desagradado a Lula. O ex-presidente, que convocou o aliado histórico para uma conversa na semana passada, não só não digeriu o fato do PSB lançar candidatura própria contra o PT, no Recife (PE), como também o alinhamento do socialista ao senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), justamente um dos principais críticos de sua gestão à frente do Planalto.

Inclusive, já corre a informação de que Lula teria dito a Eduardo que o PT anda “desconfiando” do que estaria por trás das movimentações do PSB no Recife, em Fortaleza (CE) e em Belo Horizonte (MG). O fato de Campos ter se aliado a Jarbas tem sido interpretado, entre os petistas, como uma tentativa de aproximação com o PMDB – a parcela que não apoia o governo, que hoje não tem perspectiva de lançar um nome próprio para a Presidência da República, em 2014. Quadro bem diferente do PT, que deverá seguir com a possibilidade de reeleição da presidente Dilma Rousseff ou mesmo com o retorno de Lula, e do PSDB, que tem Aécio Neves como prévio candidato.  

Com a possiblidade do PMDB somar forças ao PSD, de Gilberto Kassab, ao seu lado, o governador de Pernambuco parece ter o embrião de uma plataforma para a disputar a próxima eleição presidencial com força equivalente a percebida apenas no PT e no PSDB atualmente. Esse prisma já fora cantado, há um bom tempo, por petistas descrentes na continuação da aliança com o PSB.

Porém, nesse momento, Eduardo Campos não gostaria de se indispor com a presidente Dilma Rousseff, devido às incontáveis parcerias entre o seu governo e o Federal. Apesar do bom momento econômico que atravessa, Pernambuco ainda depende muito dos repasses e ações conjuntas com a União. Tanto que boa parte das grandes obras no Estado conta com o dedo do ex-presidente Lula. O fim da aliança agora poderia representar o “fechamento das torneiras” para a sua gestão, que pode ser a grande plataforma de sua campanha presidencial. E isso, definitivamente, o socialista não quer.

 

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