À Folha e ao Estado, Serra fala como derrotado

Sua vitória suprema não é mais a prefeitura de São Paulo; já basta ao candidato tucano a condenação dos petistas na Ação Penal 470; afora isso, dá-lhe mensalão, kit-gay e Malafaia; sobre São Paulo, nenhuma palavra ou proposta concreta

À Folha e ao Estado, Serra fala como derrotado
À Folha e ao Estado, Serra fala como derrotado (Foto: Edição/247)

247 - Candidato à prefeitura de São Paulo em clara desvantagem (as pesquisa lhe colocam 12 pontos atrás de Fernando Hadadd), José Serra falou aos dois principais jornais da cidade, Folha e Estado de S. Paulo, sobre os temais com os quais pretende pontuar a campanha municipal de 2012: mensalão, kit-gay e Silas Malafaia. Sobre os problemas da maior metrópole, nenhuma palavra.  

Confira alguns trechos na Folha:

Mensalão

O maior julgamento contra corruptos da história do Brasil condenou figuras da mais alta relevância no PT. Indiretamente, o próprio governo Lula. Lula e Dirceu estão querendo usar a eleição em São Paulo como cortina de fumaça. Querem dizer que, se ganharem, é como se não tivesse havido mensalão. É absurdo.

Rejeição

Vem das mesmas pesquisas que não pegaram que eu chegaria em primeiro lugar.

Dianteira de Haddad no segundo turno

O PT sempre foi muito ruim de serviço no Executivo. Eles deixaram a cidade falida. Há ainda o fato de que os pontos mais fracos do PT são educação e saúde. Sempre.

Sobre Haddad

O Enem fracassou em parte pela incapacidade operacional de fazê-lo, mas também pelo equívoco das mudanças realizadas. Eu não diria que a culpa é do Haddad, ele é apenas despreparado para a educação.

Sobre o ProUni

É um programa de bolsas, nada mais. Não sou contra, mas está longe de ser uma inovação. Em São Paulo já tinha isso. Eles apenas fizeram algo mais massivo e com desconto de impostos. Cada bolsa é um gasto. Diminui receitas do governo.

Vínculo entre Haddad e Mensalão

Ele é do partido do mensalão. O Zé Dirceu é muito importante para o PT e para ele. Numa campanha, você carrega consigo sua biografia, suas companhias e o currículo do seu partido.

Religião na campanha

Haddad foi à missa hojee até comungou. Isso não é buscar apoio religioso? Agora, eu não sou cristão de boca de urna.

Kit-gay

Nós fizemos a melhor campanha contra Aids do mundo. O papel da comunidade gay foi decisivo. Nunca saiu nenhum filme da campanha que eu não tivesse revisado. O Haddad fez uma coisa desastrada. Era um material de doutrinação, malfeito.

Silas Malafaia

Não criticam o Malafaia, criticam que não esteja com eles. No Rio, Malafaia apoiou o Eduardo Paes, cujo vice é do PT. Quando não apoia Haddad, aí é satanizado.

E também no Estadão:

Desvantagem nas pesquisas

As pesquisas sempre são um retrato, e nesta campanha têm sido um retrato borrado. Poucas vezes as pesquisas desviaram tanto as análises quanto nessa eleição.

Estratégia no segundo turno
O 2.º turno tem uma característica de quantidade que muda a qualidade. É mais intenso. Não tenho estratégia diferente, mas sei que tudo vai se intensificar. Eleição é escolha, comparação. Biografia, capacidade de realizar, de ter prioridades, fazer acontecer, com quem você anda, quem te cerca, tudo isso pesa.

Plano de governo que ainda não saiu
Eu não parei de apresentar propostas a cada dia, isso que é importante. O programa (registrado) no TRE é para valer. Agora estamos organizando as temáticas, pegando contribuições dos partidos que estão entrando. Por exemplo, a questão das creches. Vamos criar um auxílio-creche, uma bolsa para as mães que estiverem na fila. É uma ideia que veio do PPS. Do PDT tem coisas importantes, como (corrigir) a diversidade das velocidades limites na mesma via.

Bilhete único mensal proposto por Haddad
A proposta do bilhete mensal não é redução de custo. Aí é que está a enganação. A outra não tinha cabimento. Não é que cause dano, só não tem relevância, e foi apresentado como grande ideia, a meu ver por estratégia eleitoral e porque não pensaram muito.

Mensalão
O mensalão é um processo em cima do PT e do seu governo. E não é só processo, agora é condenação. O empenho deles é que passe desapercebido, mas não passa.

Partidos mensaleiros com Serra, como PTB e PT
O (Roberto) Jefferson foi quem denunciou o mensalão. Pode ter gente de outros partidos, mas o mensalão é do PT.

Mensalão mineiro e tucano
É a reação tipicamente petista. Bate carteira e grita ‘ladrão’ para dispersar a atenção. O PT no governo foi um retrocesso em termos de moralidade pública.

Kit-gay
O pior foi a área educacional propriamente dita. Quem tem que se explicar sobre o kit é ele, a Dilma, que revogou (a distribuição), e o TCU, que está cobrando os R$ 800 mil gastos nisso. Quando eu era ministro, não saia uma peça publicitária ou educacional sem que antes eu tivesse revisado o conteúdo. É inadmissível. Mas a questão é a gestão, que vai deixar marcas desastrosas para o futuro: a desmoralização do Enem, as maiores greves da história desde o governo Figueiredo.

Silas Malafaia
O Silas Malafaia apoiou o Eduardo Paes com vice do PT no Rio. Ele foi do conselhão do Lula, aquele conselho de desenvolvimento social. O problema é que, declarando apoio a mim, passou a ser inimigo do PT. Eu não vi a crítica mais aprofundada, mas tem um erro incrível, inclusive de matemática, quando no fundo faz apologia do bissexualismo. Diz é bom ser bissexual porque você aumenta em 50% a chance de ter programa no fim de semana. Não é 50%, é 100%. Segundo, isso não é combater homofobia, é uma espécie de doutrina. O problema do kit gay é acima de tudo pedagógico. Quer doutrinar, em vez de educar.

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