A melhor proteção para Bebianno é contar tudo o que sabe

A escalada de confrontação entre o bolsonarismo e o até agora secretário-geral da Presidência chegou ao auge no fim de semana com as ameças de morte dirigidas a Bebianno; ele aparentou no domingo recuar em suas afirmações, atemorizado, mas voltou ao ataque no começo da tarde desta segunda-feira, confrontando as ameaças; toda a trama indica que a melhor proteção para a vida de Bebianno, no cenário de um governo de se perfil cada vez mais neofascista é contar tudo o que sabe; fará isso? 

A melhor proteção para Bebianno é contar tudo o que sabe
A melhor proteção para Bebianno é contar tudo o que sabe (Foto: Agência Brasil)

Por Mauro Lopes, editor do 247 - O até agora secretário-geral da Presidência, cuja demissão foi confirmada dezenas de vezes pelo Planalto desde a última sexta-feira (15) mas não foi oficializada até o começo da tarde desta segunda-feira, executa, com o núcleo bolsonarista do governo uma espécie de balé macabro. Ameaças, ofensas, recuos, marchas e contramarchas. O ponto culminante deste balé, até o momento, é a revelação de que ele está sofrendo ameaças de morte do bolsonarismo mais radical. Ele aparentou no domingo recuar em suas afirmações, atemorizado, mas voltou ao ataque no começo desta segunda-feira, confrontando as ameaças. Toda a trama indica que a melhor proteção para a vida de Bebianno, no cenário de um governo de se perfil cada vez mais neofascista é contar tudo o que sabe. Fará isso? 

Bebianno já disse que Bolsonaro é louco, que Carlos Bolsonaro é incontrolável e que o cenário do clã é "assustador", que iria sair atirando,. Primeiro disse que "não sou moleque, e o presidente sabe e está com medo de receber algum respingo", chegando ao ponto de afirmar que "se eu cair, Bolsonaro cai junto", que devia pedir desculpas ao país por ter ajudado a eleger Bolsonaro. Estas Foram algumas de suas respostas aos ataques de Carlos Bolsonaro a ele depois da revelação do laranjal que floresce no PSL, partido que Bebianno presidiu até ser guindado ao governo.

Para surpresa do (ainda) secretário-geral da Presidência, Bolsonaro apoiou o filho, em vez dele, seu aliado político. A decepção e a mágoa de Bebianno foram enormes. E ele recorreu a uma imagem que combina com um regime que tem fixação em armas, para responder ao apoio de Bolsonaro aos ataques de Carlos: "Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo".

O contra-ataque de Bebianno não ficou sem resposta. E ela veio com a truculência típica do neofascismo bolsonarista, embalado pela retórica de ódio e guerra que marca. Iniciou-se uma campanha de desmoralização e ameaças contra o ex-queridinho de Bolsonaro que em nada ficou a dever aos ataques bolsonaristas ao PT. A partir da última sexta-feira (15), começou a circular nos grupos de WhatsApp e nas redes sociais um áudio intitulado "O Verdadeiro Bebianno". Dá para imaginar o conteúdo.

Finalmente, nesta segunda-feira, a revelação de que chegou-se onde todos sabiam que chegaria: ameaças de morte. A revelação foi feita no final da manhã pela colunista Mônica Bérgamo (aqui) e a reação de Bebianno no domingo, ao afirma que jamais acusara Bolsonaro de "louco" soou como recuo de alguém intimidado. No entanto, no começo da tarde, ele afrontou as ameaças, disse que as devolverá "em triplo", e que "Não tenho medo de briga" (aqui).

Toda a trama-dança entre Bebianno e o clã tem um tom de novela mexicana, farsesco, meio bufão. Mas na escalada que as coisas vão e a julgar pelos antecedentes em regimes similares ao novo regime brasileiro, a melhor defesa do quase ex-ministro à sua vida talvez seja mesmo contar o que sabe de uma vez. 

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