A traição de Eduardo Campos e 1964 nunca mais

Se a direita bobear, Eduardo Campos, se for mesmo candidato, poderá prejudicá-la duramente. Além de não ter programa de governo e projeto de País, a direita não tem um candidato que una os conservadores

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O Partido Socialista Brasileiro (PSB) é um dos três partidos que compõem o triunvirato da esquerda brasileira, que, juntamente com o PMDB, o PDT, além de outros partidos, formam uma aliança vitoriosa e que vai completar, em janeiro de 2015, 12 anos no poder, no que concerne a assumir a Presidência da República, e, consequentemente, desenvolver o Brasil como nunca se viu antes em sua história.

Esta realidade tem frustrado e irritado fortemente a direita tupiniquim colonizada, legítima herdeira da escravidão e uma das mais perniciosas, perigosas, perversas e traidoras deste planeta, porque foi, é e sempre será aliada dos interesses geopolíticos e econômicos de países estrangeiros, a exemplo dos EUA e das potências europeias.

A direita estadunidense e a colonizada brasileira têm os mesmos interesses, mas com uma importante diferença. Os yankees direitistas não entregam seu país para as forças alienígenas, como o fizeram os subservientes e subalternos do Brasil, que, na verdade, não têm nenhum compromisso com a Nação e por isto despidos de nacionalidade e sentimento de brasilidade, pois vazios de ideais.

Essa gente odeia e despreza este País e somente espera do nosso povo trabalhador que ele trabalhe e multiplique seus lucros para que essa classe dominante carcomida em seu espírito e degenerada em seus valores possa viajar ou passar temporadas no que ela considera como suas côrtes, a exemplo de Nova York, Londres, Paris e, evidentemente, Miami.

Temos, sem sombra de dúvida, uma classe social rica e uma classe média portadoras de complexos de vira-latas que deixariam até o Nelson Rodrigues boquiaberto, estupefato, quiçá, desgostoso, mesmo sendo o talentoso escritor considerado um homem politicamente conservador, apesar de ser revolucionário no que diz respeito a observar e analisar a sociedade brasileira.

Quando os golpistas de 1964 derrubaram o trabalhista João Goulart, um presidente constitucional, eleito pela maioria da população e que, tal qual ao estadista Getúlio Vargas, apresentou aos cidadãos um programa de governo e um projeto de País generoso e que visava, sobretudo, emancipar o povo brasileiro, os trogloditas de direita, que desde 1930 tentavam em vão voltar ao poder, rebelaram-se.

A direita não permitiria, em hipótese alguma, que outro mandatário trabalhista assumisse o poder depois da renúncia, em 1960, do presidente Jânio Quadros, político conservador, mas difícil de ser enquadrado. O Jânio de temperamento forte e personalidade independente e até mesmo histriônica, que decepcionou a direita golpista, inconformada que ficou com a política externa do presidente, considerada exageradamente progressista em tempos de Guerra Fria. Jânio recebeu Ernesto Che Guevara e o homenageou com medalhas e comendas, o que causou grande insatisfação em nossos pequenos mussolinis teleguiados pela propaganda e pela política anticomunista do Tio Sam.

O presidente das vassouras e dos bilhetes de recados, que levou desconfiança aos políticos conservadores, e, principalmente, aos barões midiáticos, que usavam a imprensa de negócios privados como porta-voz do pensamento único, reacionário, elitista, de fundo golpista e por isto propunha abertamente, por intermédio de suas manchetes, o impedimento de João Goulart, no que tange a assumir a Presidência da República, o que não foi possível ser realizado naquele momento.

O golpe derrotado, em 1961, por causa da reação do Rio Grande do Sul, na pessoa do governador trabalhista, Leonel Brizola, que efetivou a Cadeia da Legalidade, armou a Brigada Militar, a fim de rechaçar qualquer invasão através da resistência, além de ter conseguido ter o importantíssimo apoio do general José Machado Lopes, comandante do III Exército.

O movimento frustrou de vez as intenções ilegais e criminosas dos golpistas, que odeiam o Brasil, porque o País que eles querem, por exemplo, não é o Brasil que eu quero e que a maioria da população brasileira quer. É por isto, em termos práticos, que os eleitores, nos últimos dez anos, têm votado em políticos trabalhistas, a exemplo de Lula e de Dilma, bem como derrotado o PSDB tucano. Partido carro-chefe da coalizão de direita, que no poder, durante oito anos, desempregou o trabalhador brasileiro, não investiu no País, seja em qualquer área ou segmento, além de ter quebrado o Brasil três vezes, porque o governo emplumado de FHC – o Neoliberal – foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos.

Dito isto, voltemos ao governador Eduardo Campos. Tal socialista se transformará em um pária das forças políticas progressistas? A mosca azul picou o pernambucano de tal maneira, que ele, sem condições de vencer as eleições presidenciais de outubro 2014, insistirá com essa aventura? É mais fácil e factível que Eduardo Campos tire votos dos tucanos e não dos trabalhistas representados por Dilma Rousseff.

O PSDB paulista, dono do dinheiro e aliado da Fiesp e da grande mídia historicamente golpista abrirá mão de um candidato de suas hostes para ficar em um segundo plano? Os tucanos oferecerão, humildemente, o candidato a vice de Campos? E o vice será o senador Aécio Neves? Não creio. Essa realidade tem tudo para não acontecer. E a outra candidata, Marina Silva, entrará nessa construção política para tentar derrotar os trabalhistas, cuja candidata teve, recentemente, 76% de aprovação?

A verdade é que se a direita bobear, Eduardo Campos, se for mesmo candidato, poderá prejudicar duramente o campo da direita, que está desesperado, porque, além de não ter programa de governo e projeto de País, que possa ser uma opção às propostas e às ações dos trabalhistas, não tem um candidato que, até o momento, una os conservadores e que, de fato, tenha voz ativa em todo País, bem como muito votos nas urnas.

Agora, a pergunta que não quer calar: a direita partidária, seus eleitores e sua máquina de moer reputações - a imprensa alienígena e de mercado, confiam mesmo no senhor Eduardo Campos, ao ponto de deixarem o senador Aécio Neves ou outro que o valha a sentar no banco de reservas? A verdade é que a direita está exaurida e é capaz de apoiar até mesmo um revolucionário marxista para derrotar o PT de Lula. Mais do que oposição e ideologia, tornou-se obsessão.

A candidatura de Eduardo Campos é inviável e pode se tornar uma farsa. O governador enfrenta oposição em seu partido e forte resistência junto aos aliados. Ele abandonará um projeto do qual ele faz parte desde 1989 e uma coalizão que mudou o Brasil para melhor, sem calcular as perdas e os danos? Assim, como num passe de mágica? Creio que ainda tem muito água para passar por debaixo dessa ponte.

Além disso, como hoje é o dia 1º de abril – o Dia do Mentiroso ou da Mentira - quero dizer que o violento golpe de estado de 1964 e os 21 anos de ditadura foram os maiores e os mais graves crimes perpetrados contra o povo brasileiro. O golpe de 1964 é a maior traição da Pátria brasileira em toda sua história.

Militares, policiais, políticos de direita, barões da imprensa, empresários urbanos e rurais, cardeais e bispos e parte da classe média conservadora foram cúmplices e se associaram para tomar criminosamente o poder constituído. Permitiram que estrangeiros (EUA/CIA) influíssem e participassem das estratégias do golpe. Eles implementaram no Brasil o assassinato, a tortura, a censura, o exílio, a cassação, a prisão sem causa justa e legal e a destruição da democracia.

E toda essa violência foi feita em nome de Deus, da liberdade, da democracia, da família, da moral e dos bons costumes. Grandes e pequenos mussolinis se deleitaram, se locupletaram e enriqueceram. Atrasaram o nosso desenvolvimento social e econômico por mais de 50 anos. E hoje ainda tem gente que comemora tal vilania, desfaçatez e despropósito. Traidores!   É isso aí.

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