Adeus, Demóstenes

O senador será cassado por uma razão básica: foi o mais hipócrita de todos os parlamentares que o Brasil já conheceu

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Esta terça-feira é o último dia de Demóstenes Torres (sem partido/GO) no Senado Federal. Mais uma vez, como tem feito todos os dias, ele deverá cumprir um ritual constrangedor: o de implorar pela clemência dos colegas, discursando diante de um plenário vazio. Um plenário que amanhã estará cheio para aprovar sua cassação por larga margem de votos.

Demóstenes conseguiu uma proeza. O relatório do senador Humberto Costa (PT-PE), que pedia sua cassação, foi aprovado por unanimidade no Conselho de Ética. Ato contínuo, o texto do senador Pedro Taques (PDT/MT) também passou de forma unânime pela Comissão de Constituição e Justiça. E no plenário, ainda que o voto seja secreto, muitos parlamentares, como a senadora Ana Amélia (PP-RS), já estão abrindo seus votos pela inevitável cassação.

Até outro dia, o parlamentar goiano era um dos mais admirados entre os seus pares. Demonstrava coragem na tomada de posições e convicções inabaláveis em defesa da ética. Pena que fosse só aparência. Demóstenes desonrou o Senado porque o foi o mais hipócrita de todos os parlamentares que o Brasil já conheceu. Ensina a sabedoria que se perdoa o pecador; o pregador, jamais. E o Demóstenes que, da tribuna, usava as vestes de Catão da República, fora dela participava do clube Nextel do bicheiro Carlos Cachoeira.

Não haverá perdão, nem futuro político para um fingidor desmascarado, como foi o senador goiano. Nesta segunda, da tribuna, ele pregou contra os julgamentos sumários da mídia e o furor condenatório da opinião pública. Disse que será vítima da maior injustiça já cometida pelo Senado.

Mas como Demóstenes se comportava diante de suas vítimas? Era sempre o primeiro a se apresentar ao batalhão de fuzilamento. E também a se oferecer para prestar declarações contra quem quer que fosse. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, não é senador? Melhor dizendo, ex-senador.

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