Alckmin acena ao eleitor de extrema-direita e promete facilitar porte de armas

Em sabatina com candidatos a presidente promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Geraldo Alckmin (PSDB) disse que vai facilitar o porte de armas na área rural; ele prometeu criar uma agência especializada com vários órgãos de segurança pública federal e estadual a fim de combater crimes e instituir polícias especializadas na zona rural

Alckmin acena ao eleitor de extrema-direita e promete facilitar porte de armas
Alckmin acena ao eleitor de extrema-direita e promete facilitar porte de armas (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Reuters - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira que vai facilitar o porte de armas na área rural e adotar medidas para estimular a produção do agronegócio, como a redução das taxas cobradas na concessão de crédito, o estímulo para cooperativas emprestarem recursos e iniciativas para acabar com o protecionismo de países e abrir novos mercados.

Em sabatina com candidatos a presidente promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o tucano disse que o agronegócio vai ser o “motor” da economia brasileira, impulsionando a indústria e o setor de serviços.

“Essa é uma vocação nossa, uma vantagem comparativa, competitiva extraordinária, o governo tem que ser parceiro”, disse.

Alckmin —que busca garantir votos do agronegócio, setor que tem apostado no candidato do PSL, Jair Bolsonaro— reafirmou ser a favor de uma facilitação do porte de armas no campo e citou que a área é “diferente” da zona urbana.

“Defendo, sim, que na área rural tenha porte de armas. Claro que é o governo que tem que combater a criminalidade”, destacou o candidato, ao dizer que vai criar uma agência especializada com vários órgãos de segurança pública federal e estadual a fim de combater crimes e instituir polícias especializadas na zona rural.

No início do evento, o presidente da CNA, João Martins, fez uma crítica indireta aos presidenciáveis que foram convidados e não compareceram, como Bolsonaro e o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, que tem como vice a senador Kátia Abreu, também do PDT, ex-presidente da CNA.

“Todos foram convidados, os que não vieram é porque não quiseram dialogar com o agronegócio brasileiro”, disse.

DESAPROPRIAÇÃO

Alckmin disse que vai editar uma medida provisória, adotada inicialmente no governo Fernando Henrique Cardoso, para ampliar o prazo de dois para quatro anos para que uma área invadida possa ser objeto de um processo de desapropriação.

O tucano afirmou também que vai se empenhar para garantir o cumprimento de decisões judiciais de reintegração de posse.

“Invadiu, desinvade (sic). Muitas vezes há decisão judicial, reintegração judicial que não é cumprida”, criticou ele, que foi aplaudido.

TABELAMENTO

O candidato classificou como um “retrocesso” o tabelamento do frete e defendeu que é preciso buscar o interesse coletivo. Contudo, ele foi evasivo sobre o que faria com a medida adotada pelo governo Michel Temer para pôr fim à greve dos caminhoneiros e que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Alckmin defendeu que haja uma correção a cada 30 dias no preço do combustível fornecido pela Petrobras e que se adote uma espécie de “colchão tributário” para amortecer o preço do produto quando ele subir internacionalmente.

O tucano afirmou que uma solução para baratear o preço do diesel é quebrar o monopólio na prática que a Petrobras tem sobre o refino do petróleo, citando que a estatal é responsável por 98 por cento dessa operação no país.

TRUMP

O candidato disse que vai trabalhar para abrir os produtos brasileiros para novos mercados, firmando novos acordos comerciais, e também buscando acabar com barreiras protecionistas, inclusive levando demandas à Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Se os outros fazem acordos comerciais e nós não, vamos perder preferência”, argumentou.

Alckmin afirmou que considera uma “visão equivocada” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotar medidas protecionistas, o que, em sua avaliação, só pode levar à redução da força do comércio mundial.

Ainda assim, o tucano disse que o relacionamento comercial com os EUA é “ótimo”, uma “maravilha”, porque não temos déficit. Ele avaliou também que não quer “brigar” com a China, destacando que o país asiático pode ser o maior parceiro comercial do Brasil.

“Vejo no comércio exterior e na política internacional um grande caminho para crescer mais”, disse.

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