Altman: Dilma está diante da armadilha de Getúlio

"Não há registros alvissareiros quando se estabelece excessivo distanciamento entre o sentido programático e classista de um determinado processo eleitoral e a natureza do governo constituído depois que as urnas se pronunciaram", diz o jornalista Breno Altman, que critica a indicação de ministros de perfil conservador para o segundo governo Dilma; Altman traça um paralelo com o último governo Vargas, que "decidiu chamar representantes de seus oponentes políticos e sociais para ocupar funções de destaque no governo" e "terminou isolado"; "Apenas com o suicídio de Getúlio as massas retomaram seu movimento", diz; ele também contesta comparação entre o momento atual e o enfrentado por João Goulart

"Não há registros alvissareiros quando se estabelece excessivo distanciamento entre o sentido programático e classista de um determinado processo eleitoral e a natureza do governo constituído depois que as urnas se pronunciaram", diz o jornalista Breno Altman, que critica a indicação de ministros de perfil conservador para o segundo governo Dilma; Altman traça um paralelo com o último governo Vargas, que "decidiu chamar representantes de seus oponentes políticos e sociais para ocupar funções de destaque no governo" e "terminou isolado"; "Apenas com o suicídio de Getúlio as massas retomaram seu movimento", diz; ele também contesta comparação entre o momento atual e o enfrentado por João Goulart
"Não há registros alvissareiros quando se estabelece excessivo distanciamento entre o sentido programático e classista de um determinado processo eleitoral e a natureza do governo constituído depois que as urnas se pronunciaram", diz o jornalista Breno Altman, que critica a indicação de ministros de perfil conservador para o segundo governo Dilma; Altman traça um paralelo com o último governo Vargas, que "decidiu chamar representantes de seus oponentes políticos e sociais para ocupar funções de destaque no governo" e "terminou isolado"; "Apenas com o suicídio de Getúlio as massas retomaram seu movimento", diz; ele também contesta comparação entre o momento atual e o enfrentado por João Goulart (Foto: Leonardo Attuch)

247 - O jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi e colunista do 247, contesta as escolhas conservadoras já anunciadas para o segundo governo Dilma, como dos ministros Joaquim Levy, da Fazenda, e Kátia Abreu, da Agricultura.

Em sua análise, ele também questiona a abordagem de Paulo Moreira Leite sobre o tema, que comparou as dificuldades atuais às que foram enfrentadas por João Goulart. "O jornalista Paulo Moreira Leite, amigo de longa data e analista dos mais acurados, escreveu há poucos dias artigo muito interessante, intitulado Dilma tenta evitar armadilha de Jango", diz Altman. "A premissa é que, ao supostamente convidar Joaquim Levy para ministro da Fazenda, a presidente estaria operando com a maestria que João Goulart deixou pela metade, ao indicar Carvalho Pinto para o posto, em 1963, mas demitindo-o apenas seis meses depois de nomeado."

Altman, no entanto, afirma que o paralelo mais verdadeiro deve ser traçado com o último governo de Getúlio Vargas, que culminou com seu dramático suicídio. Vargas teria sido o mentor da "estratégia de conciliação".

"Tinha sido eleito, em 1950, depois da mais impressionante jornada eleitoral da história brasileira. Centenas de milhares compareceram a comícios e passeatas, mobilizados pelo discurso nacionalista e popular do antigo ditador", afirmou.

No entanto, o gabinete foi repleto de personagens conservadores. "A Fazenda foi entregue a Horácio Lafer, um grande empresário paulista, expoente das teses mais conservadoras. O pernambucano João Cleofas, usineiro filiado à UDN, recebeu a pasta da Agricultura. Outro capitalista, Ricardo Jafet, afilhado do governador paulista Ademar de Barros, ficou com o comando do Banco do Brasil. O PTB terminou dirigindo exclusivamente o Ministério do Trabalho", relembra Altman.

"Talvez tenha se dado conta, no outono de seu mandato, que o desgaste de se equilibrar entre politicas conservadoras e progressistas o deixara incapaz de convocar à ação os milhões de pobres da cidade e do campo que o tinham eleito em 1950", diz ele. "Terminou isolado e enfraquecido, vítima da sanha dos oligarcas da terra, do dinheiro e da informação, mas também do tabuleiro político que havia desenhado, no qual a intervenção dos trabalhadores e do povo tinha somente papel eleitoral."

Altman diz, ainda, que há uma lição histórica, que não deve ser esquecida. "Não há registros alvissareiros, vale lembrar, quando se estabelece excessivo distanciamento entre o sentido programático e classista de um determinado processo eleitoral e a natureza do governo constituído depois que as urnas se pronunciaram."

Leia a íntegra em Dilma está diante da armadilha de Getúlio.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247