Álvaro Dias já fala em impeachment de Bolsonaro

Senador Álvaro Dias já não esconde o incômodo com o governo Jair Bolsonaro e já fala abertamente na possibilidade do presidente ser alvo de um processo de impeachment por não conseguir equilibrar as contas públicas e tentar burlar a chamada "regra de ouro", que impede que o governo faça dívidas para cobrir despesas correntes como salários; "O governo inclusive corre o risco de sequer cumprir a lei da regra de ouro, dispositivo legal que impõe o impeachment do presidente. Provavelmente não vai cumprir a regra e buscará driblá-la para evitar o impeachment", afirmou; segundo ele, o país corre o risco de entrar em colapso caso não consiga equilibrar as contas públicas

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247 - O senador Álvaro Dias (Podemos-SP) já não esconde o incômodo com o governo Jair Bolsoanor e já fala abertamente na possibilidade do presidente ser alvo de um processo de impeachment por não conseguir equilibrar as contas públicas e tentar burlar a chamada regra de ouro, que impede que o governo faça dívidas para cobrir despesas correntes como salários. 

"O governo inclusive corre o risco de sequer cumprir a lei da regra de ouro, dispositivo legal que impõe o impeachment do presidente. Provavelmente não vai cumprir a regra e buscará driblá-la para evitar o impeachment. Da forma como está se conduzindo na área econômica não vejo como superar essa dificuldade a médio prazo. [Já] em 2019 e 2020, o governo certamente enfrentará dificuldades", disse o parlamentar em entrevista ao UOL.

Segundo ele, o país caminha para o "aprofundamento da crise pela ausência de medidas mais efetivas no campo do ajuste fiscal. Em relação à dívida pública, não há a transparência necessária". "O governo também deveria estabelecer um limitador do endividamento. Até hoje não se cumpriu a Constituição no que diz respeito ao limite do endividamento", completou. Álvaro Dias também defendeu a realização de uma auditoria da dívida pública do país, por entender "ser este um direito do cidadão brasileiro".

O senador disse, ainda, desconhecer alguma articulação política do governo no Congresso Nacional. "Desconheço quem articula em nome do governo. O que é visível é a ocupação de espaço de lideranças no Congresso. O que se pode discutir é se a escolha [de líderes] foi boa ou não. Há lideranças que deveriam estar exercendo essa tarefa da articulação política", afirmou.

Embora seja favorável à reforma da Previdência, Dias avalia que somente ela não será suficiente para retomar o crescimento econômico, como alardeado pelo governo. "A reforma da Previdência é insuficiente. Fala-se em uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos [caso a proposta do governo seja aprovada no Congresso]. Esse R$ 1 trilhão desaparece em dois anos do déficit nominal. O déficit nominal neste ano deve ser de R$ 517 bilhões. Então, em dois anos, nós liquidaríamos com a suposta economia de R$ 1 trilhão", ressaltou.

"A reforma da Previdência é necessária do ponto de vista do trabalhador e do aposentado brasileiro. Muito mais importante para a sociedade do que para o governo. O governo pode comemorar uma tímida economia com esta reforma, mas o que deve nos orientar é a necessidade de um sistema previdenciário que garanta a aposentadoria no futuro", completou em seguida.

O senador também defendeu que a influência do astrólogo Olavo de Carvalho, guru do presidente, seja reduzida drasticamente. "Acho que ele deveria influir mais nos Estados Unidos e deixar o Brasil de lado. Essa influência é negativa, uma influência que puxa para baixo, não acrescenta absolutamente nada e tumultua muito. Se ele se ausentasse, a ausência dele preencheria uma grande lacuna no governo", disparou.

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