“Belo Monte é uma mentira”

Senadora Marinor Brito lidera diligncia regio onde ser construda hidreltrica e denuncia precariedades de Altamira, cidade mais afetada pelo empreendimento

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Rodolfo Borges_247, de Brasília – Faltam lençóis no único hospital de Altamira (PA), maior cidade a ser afetada pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, e apenas 30% de seus 100 mil habitantes têm acesso a saneamento básico. As denúncias, entre outras, são feitas pela senadora Marinor Brito (PSOL-PA) em relatório elaborado a partir da visita de uma diligência do Senado à região liderada por ela, em abril. O documento foi apresentado à Comissão de Direitos Humanos da Casa na manhã desta quinta-feira. A senadora disse ao Brasil 247 que vai encaminhar o relatório à presidente Dilma Rousseff e à Organização dos Estados Americanos (OEA), que pediu a suspensão da construção da usina no mês passado.

Segundo Marinor Brito, a construção da hidrelétrica está sendo conduzida à revelia da população local. “A Constituição brasileira não está sendo cumprida. Os indígenas não foram ouvidos. Nas audiências públicas realizadas na região, eles sequer tiveram assento, foram impedidos de sentar à mesa”, disse, reclamando que o diálogo está fechado pelo governo federal. “É uma desonestidade intelectual do governo com a população brasileira, com a comunidade acadêmica do país, com os povos tradicionais indígenas e com pescadores e agricultores da região”, disse, lembrando o caso de Tucuruí. “A hidrelétrica tem quase 30 anos e até hoje as populações que foram deslocadas não têm casa para morar”.

Altamira tem hoje 19 mil desempregados e deve contar com apenas 20% dos empregos gerados pela hidrelétrica. Menos de 30% de sua população com acesso a saneamento básico. Existe a perspectiva de essa proporção subir para 60%, por meio de uma obra paralisada do PAC, mas não há, de acordo com a senadora, qualquer previsão para a área da saúde, “e o único hospital da região já começa a sentir os impactos da movimentação migratória que se desloca antecipadamente, na perspectiva de conseguir melhores condições de vida”. A expectativa é que a população local dobre com a chegada da hidrelétrica. “Belo Monte é uma mentira”, resume Marinor.

Para a senadora, a manifestação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA sobre Belo Monte não foi à toa. “É absolutamente necessário que os estudos que estão sendo feitos pelo painel de especialistas sejam considerados pelo governo brasileiro, que prefere ouvir a análise dos empreendedores que estão ali para lucrar com o desenvolvimento da obra”, criticou. Marinor lembrou que os estudos do Painel de Especialistas de Belo Monte, composto por 40 pesquisadores brasileiros, têm demonstrado que as condições estruturais de Altamira não dão conta de responder às necessidades básicas e essenciais da população que já existe lá. “Confirmamos isso na diligência.”

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