Campos fala com Serra, mas Dilma ainda tem esperança

Presidente almoça na casa de governador do Pernambuco nesta segunda-feira; a passagem pelo Estado tenta acalmar os ânimos do PT pernambucano; ainda aliado oficial, o presidente do PSB tem aumentado as críticas ao governo e é visto cada vez mais como um adversário na corrida presidencial em 2014

Campos fala com Serra, mas Dilma ainda tem esperança
Campos fala com Serra, mas Dilma ainda tem esperança (Foto: Roberto Stuckert Filho)
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Por Ana Flor

Reuters - Em viagem a Pernambuco na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff se prepara para tratar de uma agenda política delicada: tentar uma reaproximação com o governador Eduardo Campos (PSB), aliado que tem aumentado as críticas ao governo e é visto cada vez mais como um adversário na corrida presidencial em 2014.

A viagem, para anunciar investimentos contra a seca, faz parte do périplo que Dilma vem fazendo pelo Nordeste, região que garantiu votação expressiva à presidente na eleição em 2010. Mas entre os dois eventos públicos, Dilma e Campos terão um almoço reservado.

A agenda de Dilma, que não vai a Pernambuco desde fevereiro de 2012, tem um viés simbólico por inaugurar um trecho de adutora que leva água do rio São Francisco a famílias do sertão pernambucano.

A seca prolongada dos últimos meses se transformou em um problema para o Estado e o governo federal. Por isso, tanto Dilma quanto Campos, responsável pela indicação do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), pasta que gerencia obras contra estiagem, fazem questão de dividir o palanque em Serra Talhada.

Na última vez que Dilma esteve no Estado, Campos era aliado incondicional do governo federal e do PT no Estado, com quem rompeu na aliança para a eleição municipal em Recife, derrotando o PT.

Por isso, a passagem da presidente serve para acalmar os ânimos do PT pernambucano, já que o governo não tem interesse em acirrar disputas com o presidente do PSB, ainda na tentativa de tê-lo como aliado de Dilma em 2014.

MEIO ALIADO

Enquanto cresce no governo a preocupação com a frequência das críticas públicas de Campos à política econômica ou iniciativas do Planalto que tramitam no Congresso, o governo tenta aplacar os ataques dentro do PT contra Campos, para não desfazer as chances de ainda ter o PSB como aliado em 2014.

O governador vem dando declarações de que não quer antecipar a disputa eleitoral, e chegou a responsabilizar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva --um de seus maiores aliados nos últimos anos-- pela antecipação da campanha, ao lançar Dilma à reeleição em encontro do PT em fevereiro.

"2014 a gente discute em 2014", tem repetido o governador a jornalistas cada vez que é perguntado se é candidato ou se apoiará Dilma.

Nas últimas semanas, Campos fez críticas à política econômica, defendeu a renovação da política nacional a empresários e atacou a forma como o governo organizou a Medida Provisória que trata das novas regras de concessão de portos e a negociação sobre os royalties do petróleo.

Dilma havia planejado ir a Pernambuco antes do Carnaval, mas acabou por cancelar a visita porque machucou o pé.
Nesta semana, ela cancelou as viagens ao Ceará e à Bahia por causa da ida a Roma, onde participou da missa inaugural do papado de Francisco.

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