Candidaturas de policiais crescem 55% na Bahia

Crescimento ocorre depois de greve que paralisou a polícia do Estado por 10 dias; mentor da paralisação, o ex-soldado Marco Prisco é o maior puxador de votos da categoria

Candidaturas de policiais crescem 55% na Bahia
Candidaturas de policiais crescem 55% na Bahia (Foto: Divulgação)

Bahia 247 com Estadão - A participação de policiais civis e militares como candidatos disparou em Estados onde essas categorias promoveram greves e paralisações nos últimos dois anos. O número de agentes das forças públicas de segurança que tentarão se eleger prefeitos ou vereadores aumentou em mais de 50% na Bahia, no Amapá, na Paraíba e no Maranhão, em relação ao pleito de 2008. Esses Estados registraram sérios distúrbios por causa de reivindicações salariais de policiais.

Palco da mais violenta greve policial registrada recentemente, a Bahia teve crescimento de 55% na participação de candidatos que se apresentam como integrantes das forças de segurança. Em 2008, 245 policiais disputaram a eleição. Neste ano, são 379. O crescimento universal de postulantes no Estado foi de 24%.

Efeito Prisco

O maior puxador de votos para a categoria é o ex-soldado Marco Prisco, mentor e líder da greve que paralisou a Polícia Militar do Estado por 10 dias. Com o fim da greve, ele ficou preso por 44 dias e, menos de seis meses depois, tornou-se candidato a vereador pela legenda.

Prisco é considerado pelo PSDB um dos principais "puxadores de votos" do partido para as eleições proporcionais em Salvador. "É verdade que sou o mais conhecido (entre os candidatos da legenda)", diz ele, sem modéstia. "Mas isso não muda minhas convicções. Sei que tenho uma grande responsabilidade, de representar toda uma categoria que confia em mim."

O ex-PM, expulso da corporação em 2002 por ter sido um dos líderes da primeira greve da polícia no Estado, diz que tem recebido apoios - entre eles financeiro e material - de integrantes da corporação e de servidores de outras categorias e que espera votação expressiva na eleição.

A visibilidade do candidato tem feito com que ele viaje pelo interior da Bahia para articular e fortalecer candidaturas de lideranças da greve em outras cidades. "Temos 12 candidaturas no interior, todas bem colocadas", garante o ex-PM.

As plataformas eleitorais de Prisco, segundo ele, são focadas na segurança pública. "O básico é trabalhar para o aumento da inclusão social da população, que é o mais importante que a administração municipal pode fazer. Mas também vou trabalhar veementemente no combate à corrupção."

Brasil afora

O efetivo total dos candidatos de farda ou distintivo no País soma 4.634 homens e mulheres, crescimento de 16% em relação aos 3.995 policiais candidatos em 2008. Sua bandeira principal é a pressão pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 300, que estabelece piso salarial nacional para a categoria. Mas, como prefeitos ou vereadores, os militares só poderão fazer pressão política, pois cabe ao Congresso Nacional a deliberação sobre o assunto.

No Maranhão, a participação de candidatos policiais aumentou 58% - de 89 em 2008 para 141 este ano. Ali também houve uma greve policial entre o fim de novembro e início de dezembro. O número geral de candidatos nas cidades do Maranhão aumentou 21%.

O aumento mais expressivo do número de policiais nas eleições foi no Amapá. Eram 20 candidatos há quatro anos. Agora, são 37, ou 85% a mais. A quantidade total de candidaturas no Estado aumentou 30%. A PM local ameaçou greve em fevereiro, mas foi contida com reajustes de até 100% em alguns benefícios, como o auxílio-fardamento.

Nos maiores colégios eleitorais do País, a participação de policiais na eleição não teve crescimento expressivo. Em São Paulo, com o maior número absoluto de candidatos, serão 636 tentando se eleger, 10% a mais comparado a 2008. Minas Gerais, que enfrentou violentas manifestações policiais nos anos 1990, saiu de 515 para 528 policiais candidatos - quase 3% a mais.

Embora tenha havido um crescimento expressivo no número absoluto de policiais nesta eleição, a participação relativa desses candidatos diminuiu em relação a 2008. Há quatro anos, o efetivo policial representava 1,094% das candidaturas. Este ano, a proporção caiu para 0,997%, pois o número total de postulantes também disparou no País, de 365.292 em 2008 para 464.973 este ano - ou 27% a mais.

Milícia

Embora não tenha apresentado aumento significativo no número de policiais no pleito deste ano - cerca de 8% -, o Rio é o Estado que tem a maior proporção de candidatos de farda. Os 456 postulantes são 2% das 21.143 candidaturas. O temor de que parte esteja envolvida com grupos de milícia que atuam em comunidades carentes do Estado fez com que a força-tarefa capitaneada pelo Tribunal Regional Eleitoral resolvesse, semana passada, monitorar essas candidaturas. O grupo tem também representantes da Secretaria de Segurança, do Ministério Público, da Polícia Federal e das Forças Armadas.

 

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