Centrão tenta convencer Bolsonaro a colocar um político na Saúde e Pazuello pode perder cargo

A avaliação dos caciques partidários é de que a Saúde é um instrumento poderoso demais para ficar limitado pela atuação de um “carregador de piano” como o ministro Eduardo Pazuello, que foi humilhado em público nesta semana por Jair Bolsonaro após indicar que a pasta iria adquirir 46 milhões da vacina chinesa CoronaVac

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)
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247 -  O cargo de Eduardo Pazuello como ministro da Saúde pode estar com os dias contados. Isso porque, segundo informações da coluna Radar, da revista Veja, o centrão quer aproveitar a tensão envolvendo a indicação de Eduardo Pazuello na compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac para mostrar a Jair Bolsonaro que é hora de desinchar a bolha militar no governo e colocar de novo um político de ofício no comando da Saúde.

Segundo a coluna, a avaliação dos caciques partidários é de que a Saúde é um instrumento poderoso demais para ficar limitado pela atuação de um “carregador de piano” como Pazuello, que não teria capacidade de capitalizar para o governo os dividendos políticos de tamanho orçamento e poder da pasta. 

No entanto, a ideia de colocar uma figura política que não reze a cartilha negacionista de Bolsonaro é uma preocupação para ele. Seu ex-ministro  Henrique Mandetta é filiado ao DEM, base do centrão, e criticou duramente a defesa da aplicação da cloroquina antes de pedir demissão da pasta.

Relembre o imbróglio envolvendo a CoronaVac

Nesta quarta-feira (21) Jair Bolsonaro cancelou o acordo firmado pelo Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, a vacina contra o coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. O acordo previa a edição de medida provisória para disponibilizar crédito de R$ 1,9 bilhão para a compra das vacinas.

“Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid 19", afirmou Bolsonaro a ministros. 

Bolsonaro também lançou ataques xenofóbicos contra a China e disse não confiar na garantia de eficácia do imunizante chinês.

O rompante de Bolsonaro diz respeito a dois fatores: seguir a linha de Donald Trump de guerra ideológica contra a China, responsável por 40% das exportações brasileiras, e também pelo fato de o governador João Doria (PSDB-SP), possível candidato em 2022, estar em parceria na produção da vacina CoronaVac. 

Não satisfeito, Bolsonaro ainda obrigou Pazuello e gravar um vídeo humilhante com ele deixando claro que quem dá a última palavra é o presidente. 

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