Círculo de fogo amigo e inimigo envolve Mantega

Ministro da Fazenda pode ser convocado pelo Congresso para explicar suposta proteo ao ex-presidente da Casa da Moeda, exonerado por suspeita de corrupo; antes, foi apontado como dono de uma fortuna pessoal de R$ 20 milhes; presidente Dilma j despacha mais com o secretrio-executivo Nelson Barbosa do que com o titular; superministro se queima?

Círculo de fogo amigo e inimigo envolve Mantega
Círculo de fogo amigo e inimigo envolve Mantega (Foto: Edição/247)

Marco Damiani _247 – Com uma coleção de resultados macroeconômicos que fazem dele um dos executivos financeiros mais festejados do mundo, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, nunca foi tão admirado globalmente como agora – e também nunca fora tão fustigado internamente como neste exato momento. Depois de ser apontado, em reportagem da revista Época, dono de uma fortuma pessoal em imóveis de R$ 20 milhões, que incluiria um apartamento em Paris, e chamuscado por rumores de que estaria decidido a deixar o cargo, ele agora se vê a um passo de ser convocado a dar explicações ao Congresso sobre um caso espinhoso. Mantega pode ter se omitido, por cinco longos meses, de denunciar e apurar um escândalo de corrupção que teria como personagem principal o ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, a quem nomeou e, suspeita-se, protegeu. O titular da Fazenda teria sido informado oficialmente de que Denucci poderia ter participação num esquema de recebimento de propinas pagas por fornecedores em operações no exterior, mas, em lugar de tomar providências profiláticas, demonstrou procurar contornar o caso antes que ele entrasse na esfera pública. Só ontem, depois que um verdadeiro círculo de fogo amigo e inimigo de críticas e ataques começou a fechar sobre o minstro no Congresso, a Fazenda anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a dimensão do escândalo na Casa da Moeda.

“É preciso que a principal testemunha do imbróglio fale: Mantega”, desferiu, sem qualquer esforço atenuante, o jornal O Globo. Entre as fileiras governistas, do PT ao PMDB, o ministro já vem sendo igualmente inquirido sem rodeios, num tom de confronto jamais usado contra ele nos anos em que está à frente do principal ministério do governo. “Como qualquer homem público, o ministro precisa dar explicações, seja por nota ou entrevista, ele decide”, cobrou o deputado Lucio Viera Lima (PMDB-BA). “É melhor que não pairem dúvidas sobre o comportamento do principal ministro do governo”. “Ele é o pai da criança. Por lealdade, deveria vir ao Congresso explicar as atitudes de seu afilhado”, afirmou o presidente do PTB, Roberto Jefferson, divulgando que o ex-presidente da Casa da Moeda, mesmo sem apoio político, só foi mantido no cargo pela determinação pessoal de Mantega.

Enquanto a temperatura sobe contra o ministro no Congresso, no Palácio do Planalto sua relação com a presidente Dilma é cada vez mais fria. Ao contrário dos tempos em que brilhava na equipe do presidente Lula, de quem foi assessor desde os tempos das vacas magras longe do poder e, quando o PT finalmente venceu as eleições, por ele foi imediatamente prestigiado com o cargo de ministro do Planejamento e blindado de todo o tipo de críticas quando ungido à Fazenda, Mantega agora parece uma figura menor. A presidente pouco o tem chamado para despachos pessoais, optando por dialogar diretamente com o secretário executivo Nelson Barbosa. Ela própria tem agido como principal orientadora da economia, trazendo para si, em pronunciamentos públicos e ordens internas, a missão de comandar o combate à crise e carregar a bandeira do crescimento.

Neste contexto, o ano começou com Mantega envolvido em rumores de que, em razão dos cuidados de saúde que sua mulher necessitaria, iria pedir demissão do governo. A divulgação dessa possibilidade, antes jamais aventada, foi inserida, em reportagem da revista Época, entre informações de que o ministro teria constituído um patrimônio pessoal vistoso e significativo, avaliado em cerca de R$ 20 milhões. Outra vez, nunca antes neste País Mantega passara por esta situação.

Num governo que acaba de trocar seu sétimo ministro – Mário Negromonte, das Cidades, envolvido em denúncias de irregularidades – pode-se afirmar que, à exceção do ex-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, só caíram personagens laterais. Ao se fechar um círculo de pressões sobre o ministro da Fazenda, porém, pode estar se aproximado o momento em que um ás venha a ser descartado.

 

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