Congresso do PT se torna ato de apoio a Dirceu, Genoino e Delúbio

"Tsunami de manipulação e mentiras não ficará sem resposta", discursou o presidente do partido, Rui Falcão, na noite desta quinta-feira, em Brasília; "A história vai provar que nossos companheiros foram condenados sem provas", acrescentou o dirigente petista; em seu discurso, o ex-presidente Lula comparou os ataques aos condenados na Ação Penal 470 a episódios envolvendo tucanos; "Basta ver as notícias sobre o emprego do José Dirceu no hotel e da cocaína num helicóptero", disse

"Tsunami de manipulação e mentiras não ficará sem resposta", discursou o presidente do partido, Rui Falcão, na noite desta quinta-feira, em Brasília; "A história vai provar que nossos companheiros foram condenados sem provas", acrescentou o dirigente petista; em seu discurso, o ex-presidente Lula comparou os ataques aos condenados na Ação Penal 470 a episódios envolvendo tucanos; "Basta ver as notícias sobre o emprego do José Dirceu no hotel e da cocaína num helicóptero", disse
"Tsunami de manipulação e mentiras não ficará sem resposta", discursou o presidente do partido, Rui Falcão, na noite desta quinta-feira, em Brasília; "A história vai provar que nossos companheiros foram condenados sem provas", acrescentou o dirigente petista; em seu discurso, o ex-presidente Lula comparou os ataques aos condenados na Ação Penal 470 a episódios envolvendo tucanos; "Basta ver as notícias sobre o emprego do José Dirceu no hotel e da cocaína num helicóptero", disse (Foto: Gisele Federicce)
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Por Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual

Diante de um painel gigante com imagens do ex-ministro Luiz Gushiken e do ex-governador de Sergipe Marcelo Déda, petistas históricos que morreram neste ano vítimas de câncer, o presidente do PT, deputado Rui Falcão, fez ontem à noite (12), na abertura do 5º Congresso Nacional do partido, em Brasília, um contundente discurso contra as "manipulações" e as "mentiras" envolvendo a Ação Penal 470, conhecida por processo do mensalão. Entre os que foram envolvidos nesse processo estava o próprio Gushiken.

"No tsunami de manipulação que foi o processo dessa ação penal houve o típico caso da manipulação alimentando a mentira e a mentira realimentando a manipulação. A história vai provar que nossos companheiros foram condenados sem provas. Repito aqui o que já dissemos nas resoluções do nosso diretório sem titubear: nenhum companheiro condenado comprou votos do Congresso Nacional, nem usou dinheiro público, nem enriqueceu pessoalmente", disse Falcão ao lado da presidenta Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de 600 delegados petistas, além de ministros, prefeitos, governadores, deputados, senadores e dirigentes do partido.

Falcão lembrou da parcialidade e da seletividade da mídia contra o PT, em relação a casos de corrupção envolvendo lideranças e partidos de direita no Brasil.

"Surpreendentemente, o suposto sentimento de punição e justiça continua sem alcançar determinados setores e partidos, o que caracteriza uma ilegal situação de dois pesos e duas medidas. Por que o silêncio de mais de uma década no martelo dos juízes do famoso mensalão do PSDB mineiro? Por que o tratamento diferenciado de certos setores da grande imprensa em relação ao trensalão do governo tucano de São Paulo? Por que a tentativa insidiosa de tentar reverter o escândalo da máfia do ISS denunciada pela prefeitura paulistana?", questionou.

O dirigente petista afirmou que o PT não pretende transformar as eleições de 2014 numa guerra de escândalos, mas garantiu que os ataques não ficaram sem resposta. "Se enganam os que pensam que vamos levar injustiça e desaforos para casa".

Reeleição

O congresso também foi marcado por discursos que pregaram o fortalecimento dos diretórios, maior integração dos dirigentes com os estados e municípios e, sobretudo, o fortalecimento de alianças para o projeto de reeleição de Dilma Rousseff em 2014

O foco principal foi a necessidade do país avançar mais nos próximos anos, como forma de dar continuidade ás mudanças iniciadas em 2003, com o primeiro governo Lula.

Falcão destacou que o momento é de acenar para reformas mais profundas, sendo a mais importante delas a política, para acabar com a influência do poder econômico nas eleições. Ele voltou a defender a realização de um plebiscito sobre o tema e a democratização dos meios de comunicação.

"Precisamos aprimorar e avançar no setor de comunicação. A sofisticação da tecnologia e o poder de comunicação, por meio da internet, levaram ao empoderamento do cidadão e constitui uma necessidade inadiável promover a democratização com a regulamentação do artigo da Constituição que assegura a liberdade de expressão e proíbe a formação de monopólios e oligopólios nas empresas de comunicação", afirmou.

Renovação cultural

Ele enfatizou também a necessidade de o PT ampliar o diálogo com a sociedade e de passar por uma "renovação cultural", criando uma "nova agenda" com os jovens e as pessoas sem partido.

"Assumo aqui o compromisso de promover mudanças no partido com a ampliação da formação partidária associada com a criação de instrumentos mais eficazes de comunicação com a sociedade. Comprometo-me também a fortalecer as setoriais, a deixar a direção mais próxima das bases e a intensificar a presença regular dos dirigentes nos estados. Vamos criar uma nova agenda para o PT que dialogue mais com os jovens, os sem partidos, que nos aproxime mais da intelectualidade. O PT precisa passar por uma renovação cultural que inclusive contribua para formar mais quadros de dirigentes. Uma grande dedicaçãode todos nos é necessária, para que o PT possa ser um partido coletivo. O engajamento e a participação da militância são indispensáveis, com uma estrela no peito e o olhar no futuro", enfatizou o presidente da legenda durante sua posse.

O Congresso conta com a participação de representantes de partidos sintonizados com o PT na Argentina, Estados Unidos, Colômbia, Espanha, Haiti, Nicarágua, República Árabe, dirigentes do Partido Comunista da China e membros de outros países da Europa.

Em muitos momentos, foram feitas menções a Luiz Gushiken e Marcelo Déda e aos outros dirigentes petistas já falecidos.

'Problema é de classe social', diz Lula sobre ataques ao PT, ao governo e à economia

Apresentando-se como "comandado" do PT para a campanha de reeleição da presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem (12) que os frequentes ataques aos petistas, ao governo e à condução da economia ocorrem mais por um problema de classe social do que pelo erros que o partido tenha cometido nesses quase 11 anos no comando do país.

Falando para um grupo de 600 delegados na abertura do 5º Congresso Nacional do PT, em Brasília, Lula destacou os avanços do Brasil na última década, sobretudo nas áreas social e econômica, e disse que alguns grupos empresariais, políticos e midiáticos sentem-se "incomodados" por essas conquistas.

"O problema não é econômico, o problema é de pele, é de classe social", disse ele, ao lado de Dilma, do governador Agnelo Queiroz (DF), do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e vários ministros, deputados, senadores e outras autoridades.

"Se eu tivesse fracassado como imaginavam, diriam que era porque eu era um coitadinho de um operário, que não estava preparado. Fizeram um país para governar por mais de 20 anos e quem está governando há 12 anos somos nós. Um dia pegaram uma jovem de 20 anos, prenderam-na, torturaram-na, e depois a soltaram. Alguns anos depois essa jovem rebelde vira presidenta da República desse país. Isso não é uma coisa simples de compreender", frisou.

Lula disse que o país "está dando certo naquilo que outros não conseguiram acertar" e fazendo, em pouco tempo, "o que pensavam fazer em muito". O ex-presidente criticou os empresários que divulgam a tese segundo a qual investidores estrangeiros estariam preferindo outros países devido a supostos problemas na economia brasileira.

"Quero entender qual é o país que está melhor que o nosso Brasil. Alguns países estão bem porque começaram décadas antes de nós, mas nenhum país está bem como o nosso. Não há nenhum país que tenha registrado 4,8 milhões de empregos formais em três anos, que tenha mais responsabilidade fiscal do que nós". frisou.

De acordo com Lula, o PT tem sido vítima das suas virtudes e dos seus defeitos. Ele foi bastante ovacionado quando comparou os ataques aos condenados na Ação Penal 470, conhecida por processo do mensalão, a episódios mais graves envolvendo figuras da oposição ligadas ao PSDB.

"Se forem comparados os erros do PT com os dos outros partidos, notamos uma desproporcionalidade na divulgação. Basta ver as notícias sobre o emprego do José Dirceu no hotel e da cocaína num helicóptero, que se percebe uma desproporcionalidade na divulgação dos dois assuntos", afirmou. Ele referia-se à apreensão de 450 quilos de pasta de cocaína num helicóptero pertencente ao deputado estadual mineiro Gustavo Perrella (SDD), filho do senador Zezé Perrella (PDT), ambos ligados ao presidenciável tucano Aécio Neves.

Responsabilidade

O ex-presidente destacou que a reeleição de Dilma terá o efeito de continuar as mudanças que estão sendo feitas pelo PT, mas para isso o partido precisa estar mais integrado com as bases e com a sociedade.

Lula lembrou que o fato de mais de 400 mil filiados terem comparecido ao chamado do PT para participar do Processo de Eleições Diretas (PED), no mês passado, é sinal de que muita coisa boa está acontecendo no Brasil. E reiterou aos novos dirigentes empossados que precisam percorrer o país no ano que vem. "Preparem-se para viajar conosco do Oiapoque ao Chuí e deixar o PT mais forte", reiterou.

Num recado claro aos dirigentes, o ex-presidente pediu alerta e apoio para o próximo ano. "Não se iludam que cada coisa, quanto melhor fizermos, mais aumentará a ira da oposição contra nós. Tudo isso deixa as pessoas em dúvida sobre o que vai acontecer nesse país. Temos uma responsabilidade de reeleger a Dilma presidenta e para isso precisamos ter uma boa bancada de deputados federais, aumentar o número de senadores, eleger governadores e deputados estaduais".

Sobre a intensificação das alianças, o ex-presidente ressaltou que o ideal seria escolher a chapa toda do PT, mas na política real isso não é possível, motivo pelo qual, é importante construir as alianças necessárias à governabilidade.

"Temos que trabalhar e construir alianças, pois não teremos uma eleição fácil. Não vamos esperar moleza: estas eleições precisam de dedicação e muito compromisso de nossa parte. Teremos que ir para a rua", conclamou.

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