Cunha deve renunciar à Presidência da Câmara na segunda

Pressionado por aliados a deixar o cargo de presidente da Câmara, do qual já está afastado, por suspensão do Supremo Tribunal Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se reunirá com líderes da base na próxima segunda-feira 20, quando também deverá fazer um pronunciamento; resistente à ideia, Cunha pode ter sido influenciado pelos acontecimentos recentes, como a decisão do juiz Sérgio Moro que tornou sua mulher, Cláudia Cruz, ré na Lava Jato, e o avanço do processo de cassação na Câmara para o plenário, onde certamente será derrotado; a reunião de segunda tem como pauta discutir "uma saída" para o deputado; rumores dos últimos dias deram conta até de que ele pensa em delação premiada

Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em coletiva de imprensa, em Brasília 05/05/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em coletiva de imprensa, em Brasília 05/05/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Gisele Federicce)

247 - Prestes a perder o mandato, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), convocou líderes e aliados para uma reunião nesta segunda-feira (20) com o objetivo de discutir uma saída para a sua delicada situação. O parlamentar deve fazer um pronunciamento no dia seguinte, terça-feira, em um hotel de Brasília. A ideia é que os integrantes de sua base reforçarão a proposta de que ele renuncie ao cargo para cuidar de sua defesa. Segundo os bastidores, Cunha pode fazer delação premiada, o que, se acontecer, estremecerá o governo Michel Temer. 

Alvo de três denúncias, o parlamentar já teria dito que, se cair, levará consigo cerca de 150 deputados, mais um ministro e um senador, de acordo com a coluna Andreza Matais e Marcello de Moraes, publicadas no Estado, na semana passada. Cunha, no entanto, nega que fará delação.

Para o encontro desta segunda já foram convocados para o encontro líderes do Centrão, Aguinaldo Ribeiro (PP), Rogério Rosso (PSD) e Jovair Arantes (PTB), e os que sã considerados fiéis a Cunha, como Paulinho da Força (SD-SP) e Carlos Marun (PMDB-MS). 

O presidente afastado da Câmara foi alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar. Ele disse, em seu depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, em março de 2015, que não possuía contas no exterior. Mas documentos enviados por autoridades suíças à Procuradoria Geral da República (PGR) apontaram que ele mantinha ao menos quatro contas no País europeu. 

Em março deste ano, o peemedebista passou a ser réu na primeira ação penal no STF originada das investigações da Operação Lava Jato, pois no dia 3 daquele mês, Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu, por 10 votos a 0, a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Eduardo Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O peemedebista é acusado de exigir e receber ao menos US$ 5 milhões em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras. 

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgará em 22 de junho a segunda denúncia apresentada pela PGR contra Cunha, justamente a que está relacionada às contas bancárias no exterior, disse nesta terça-feira (14) à Reuters uma fonte com conhecimento do andamento da ação.

Além da acusação negociar propina para o contrato do estaleiro e de ter mentido na CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior, Cunha enfrenta uma terceira acusação. Um dos delatores da 'Lava Jato', o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, afirmou que as empresas ligadas à construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, teriam que pagar R$ 52 milhões em propinas [cerca de ou 1,5% do valor total dos Certificados de Potencial de Área Construtiva (Cepac)] a Cunha (veja aqui).

Mulher de Cunha virá ré na Lava Jato 

No começo do mês, o juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia da força-tarefa da Lava-Jato contra a mulher de Cunha, a jornalista Claudia Cruz, acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. De acordo com as investigações, há indícios de que parte da propina desviada da Petrobras abasteceu contas no exterior em nome de off-shores e trusts usados para pagar cartões de crédito internacional utilizados por Claudia Cruz. A filha de Cunha, Danielle Dytz, não foi denunciada, mas é investigada, segundo a força-tarefa.

As investigações apontaram que Cláudia sabia dos crimes que praticava e era a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior. Entre 2008 e 2014, ela gastou mais de US$ 1 milhão. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) apontou que o gasto foi “totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito” dela e de Cunha. Quase todo o dinheiro depositado na Köpek (99,7%) teve origem nas contas Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil), todas pertencentes a Eduardo Cunha.

Também viraram réus o ex-diretor a área internacional da estatal, Jorge Luiz Zelada, por corrupção passiva, o empresário português proprietário da CBH Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; e o operador João Augusto Rezende Henriques, denunciado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção passiva.

 

 

 

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