Cunha reabre delação e promete entregar Temer

Eduardo Cunha tem pressa de reabrir as negociações de sua delação premiada; o deputado cassado estaria disposto até a participar das tratativas com o PGR diretamente; Cunha teria se comprometido a falar sobre as relações dele com Michel Temer e ministros; a possível retomada das negociações com Cunha, desta vez num nível mais elevado, poderia provocar uma reviravolta nas investigações da Lava-Jato nesta reta final do mandato de Janot, que deixa o cargo em um mês

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é escoltado por policiais federais em Curitiba 20/10/2016 REUTERS/Rodolfo Buhrer
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é escoltado por policiais federais em Curitiba 20/10/2016 REUTERS/Rodolfo Buhrer (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Menos de uma semana depois de receber um “não” do Grupo de Trabalho da Lava-Jato, o ex-deputado Eduardo Cunha pediu para reabrir as negociações na tentativa de um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Um emissário do ex-deputado até sugeriu que, se fosse de interesse do Ministério Público, Cunha participaria diretamente das tratativas.

Nesse caso, investigadores de Brasília poderiam ouvi-lo em Curitiba, onde ele está preso. Procuradores devem decidir, até a próxima semana, se aceitam ou não pôr de volta à mesa a discussão da delação do ex-deputado.

Na proposta apresentada inicialmente, Cunha teria se comprometido a falar sobre as relações dele com Michel Temer, mas a proposta foi recusada por não apresentar novidades. 

Como prova de que agora está disposto a revelar tudo o que sabe, Cunha falaria diretamente com os procuradores. Até sexta-feira passada, a negociação era intermediada pelo advogado Délio Lins e Silva Júnior. Na nova configuração, continuaria com o advogado, mas sentaria à mesa com os procuradores para uma conversa franca, sem a preocupação de modular uma acusação a um interesse específico.

A possível retomada das negociações com Cunha, desta vez num nível mais elevado, poderia provocar uma reviravolta nas investigações da Lava-Jato nesta reta final do mandato de Janot, que deixa o cargo em um mês. Até ser rejeitada, na sexta-feira passada, a delação do ex-deputado era uma das mais esperadas e temidas.

As informações são de reportagem de O Globo

Ao vivo na TV 247 Youtube 247