"Custo PSDB" e mobilidade urbana

Em São Paulo, a situação é especialmente ruim, a pior do país: só na capital, 25,1% dos moradores necessitam de uma a duas hora para chegar ao trabalho

O Censo 2010, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) perguntou pela primeira vez aos brasileiros quanto tempo gastam no percurso de casa ao trabalho e descobriu que 52,2% da população leva de seis a 30 minutos, em média. Já quem vive nas cidades mais desenvolvidas e populosas costuma demorar mais de uma hora nesse deslocamento.

Em São Paulo, a situação é especialmente ruim, a pior do país: só na capital, 25,1% dos moradores necessitam de uma a duas hora para chegar ao trabalho e 5,87% demoram mais de duas horas. No Grande ABCD, a situação agrava-se: 22% das pessoas que trabalham em outros municípios gastam duas horas ou mais para ir ao trabalho, rotina duramente enfrentada principalmente pelos moradores de Mauá (32%) e Ribeirão Pires (24,5%).

Não é preciso consultar nenhum especialista para entender o que acontece em São Paulo : são 20 anos de fracassos do PSDB à frente do governo estadual e na gestão dos transportes públicos de massa, priorizando o transporte individual, em detrimento do coletivo, fazendo muito marketing e pouca oferta de políticas efetivas para resolver a questão.

Os resultados da falência da gestão tucana estão nos números do Censo e na vida de milhares de trabalhadores que enfrentam panes quase que diárias nas principais linhas do metrô e nos trens da CPTM, as quais agravam os problemas da lentidão e superlotação de um sistema que, em condições normais, já se revela completamente saturado.

Na capital, além de não construir os corredores de ônibus prometidos durante a campanha, a prefeitura sequer garante a manutenção e a fiscalização dos já existentes.

Assim, a falta de investimentos na qualidade do transporte e na ampliação e entrelaçamento das redes acaba obrigando os cidadãos a se deslocarem de forma isolada, piorando a fluidez do sistema. Em São Paulo , 3 milhões de carros, de uma frota de 5 milhões, saem para as ruas diariamente.

A boa notícia na área dos Transportes, não apenas para São Paulo, mas para vários Estados e municípios, vem do governo federal: a presidenta, Dilma Rousseff, anunciou repasse de R$ 22 bilhões de recursos do PAC 2 a serem investidos em infraestrutura para transportes coletivos nas grandes cidades.

Segundo o Ministério das Cidades, só para o Estado de São Paulo e para prefeituras paulistas foram destinados R$ 2,7 bilhões, que servirão a obras como o corredor de ônibus Capão Redondo-Vila Sônia e o corredor Guarulhos-São Paulo (Tucuruvi).

Esses investimentos comprovam que o governo federal está atento a esta questão crucial que é a mobilidade urbana nas regiões metropolitanas do país, onde vive metade de nossa população. Além disso, a melhoria dos sistemas de transportes é também um dos valiosos legados que devemos trabalhar para deixar para o futuro, após sediarmos a Copa-2014 e as Olimpíadas-2016.

Na contramão, o governo do PSDB atesta sua incapacidade para lidar com um problema que tanto afeta a qualidade de vida das pessoas há muito tempo. Meios de transporte sucateados, em péssimas condições, e uma estrutura viária caótica —marcas das gestões tucanas— roubam todos os dias o tempo de milhares de trabalhadores. Tempo esse, precioso, que poderia ser dedicado à família, ao lazer, ao descanso e ao estudo.

Esse tempo se transforma em custo para toda a sociedade, uma espécie de “custo tucano”. Felizmente, estamos em ano eleitoral e podemos começar a mudar essa realidade a partir do voto.

José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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