Deborah Cavalcante: política do PSOL é frente única de esquerda

Dirigente do partido explica resoluções do último congresso e propõe abertura de diálogo para construir aliança ao redor de Lula. Assista

Deborah Cavalcante
Deborah Cavalcante (Foto: Reprodução)
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Por Camila Alvarenga, no Opera Mundi - No programa 20 MINUTOS ENTREVISTA da última segunda-feira (18/10), o jornalista Breno Altman entrevistou Deborah Cavalcante, eleita para a executiva nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que chefiará a Secretaria de Relações Internacionais da legenda. 

Cavalcante falou sobre o sétimo congresso do PSOL, quando foi eleita, os pontos debatidos e a principal resolução determinada no encontro com a eleição de sua chapa. 

“Há a possibilidade de impeachment contra Jair Bolsonaro, mas não descartamos que o presidente possa chegar às eleições. Deriva disso a tática que minha chapa propôs e que foi eleita, que é a de criar uma unidade de luta de esquerda, apesar das nossas diferenças programáticas, e uma frente de esquerda eleitoral, liderada por Lula, sem a presença dos golpistas”, contou.

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A advogada trabalhista revelou que a proposta que disputou contra a sua foi a de uma mobilização e ofensiva permanentes, lançando uma candidatura própria, de Glauber Braga. No entanto, após a realização do congresso, o próximo passo seria que Braga retirasse sua pré-candidatura.

Ela reforçou que “o compromisso número um do partido é derrotar Bolsonaro” e, por isso, a resolução principal foi a construção de uma frente única, “cujo ponto de partida básico seria a revogação das medidas da contrarreforma que se aprovaram desde o governo [Michel] Temer”.

“Uma reeleição de Bolsonaro, que não é algo descartável, seria um desastre para uma geração inteira e quem lutou agora se sentiria totalmente desmoralizado. Isso nos fez refletir sobre formar uma chapa com Lula. No entanto, há um conjunto de temas que não são uma novidade dentro do PSOL, que vamos apresentar, e que não são negociáveis. Entre eles, vamos propor reformas estruturais, medidas anticapitalistas, levar em conta a luta das mulheres, do povo negro e discutir a questão da polícia”, enfatizou a dirigente.

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Ela ainda discorreu sobre a incorporação da convocação de uma assembleia constituinte num eventual programa único de esquerda. De acordo com Cavalcante, “é uma carta na manga e uma de nossas principais bandeiras, mas é preciso medir o momento adequado”.

Ela destacou que o Brasil não vive uma situação pré-revolucionária, como viveu o Chile, e que o tiro poderia sair pela culatra.

“Vamos ter que avaliar a situação, até porque a tarefa da burguesia é destruir a Constituição de 1988, o que já vem acontecendo em parte. Se nós tivermos um governo que se apoia na mobilização, defende a constituinte desde o princípio, mantém o povo engajado e busca convocá-la para gerar ainda mais mobilização, pode ser interessante. Mas se a conclusão for que convocar uma constituinte pode piorar a Constituição de 88, não vou defender essa estratégia”, refletiu.

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Governar sem maioria

Uma frente única de esquerda, contudo, não significa que o PSOL participaria de um governo de Lula. Para tanto, o ex-presidente, em tese, não poderia formar alianças com partidos do chamado centrão ou "atacar os trabalhadores, mas isso é pouco provável". 

Assim, o papel da legenda durante o governo será de oposição frente aos ataques direcionados ao povo e aos trabalhadores, mas de defesa frente aos ataques da extrema direita.

Cavalcante ainda ponderou que, diante de uma situação em que a esquerda provavelmente não terá maioria no Congresso, o importante será construir um governo que se apoia na mobilização, até para evitar ao máximo a realização de alianças com os partidos do centro.

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“A mobilização popular é o que faz um deputado ter medo de não ser reeleito, é o que permite defender as medidas de esquerda. O governo Lula terá que se apoiar em mobilizações populares para construir outra governabilidade”, argumentou.

Por outro lado, a dirigente se mostrou otimista de que a esquerda conseguirá "recuperar posições" e disse que o PSOL dedicará suas energias para que isso aconteça — também apoiando a candidatura de Guilherme Boulos no governo de São Paulo. Ela defendeu que o líder, “maior orgulho do partido”, ajudará a propagar o espaço da esquerda. 

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