Declaração de FHC sobre Serra causa discórdia entre tucanos

Ex-presidente disse que a candidatura do ex-governador prefeitura de SP no o tirava da corrida presidencial. Para aliados, ideia de nova renncia pode espantar eleitores

Declaração de FHC sobre Serra causa discórdia entre tucanos
Declaração de FHC sobre Serra causa discórdia entre tucanos (Foto: CLAYTON DE SOUZA/AGÊNCIA ESTADO)

Depois de decidir entrar na corrida pela Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) afirmou a aliados que ainda não enterrou o sonho de ser candidato a presidente da República. Disse, no entanto, que se vencer a disputa de outubro pretende cumprir os quatro anos do mandato de prefeito.

Para os aliados, a declaração é uma sinalização de que Serra não está fora da disputa nacional. Na segunda-feira, 27, em entrevista ao Estado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou que a disposição de Serra a se candidatar a prefeito o revitalizava e que não o tirava da corrida presidencial, ao lado do senador mineiro Aécio Neves (PSDB).

Serra disse aos interlocutores que o eleitorado paulistano não perdoaria uma segunda renúncia do cargo de prefeito. Em 2006, o ex-governador deixou a Prefeitura para disputar o governo do Estado. Em 2010, também abandonou o Palácio dos Bandeirantes nove meses antes do término do mandato para disputar a eleição presidencial.

Os aliados dizem agora que, diante das declarações de que não renunciará, caso vença, o sonho de ser candidato a presidente deve ser postergado para 2018. "Em 2014, só em caso de uma catástrofe econômica e política, num cenário pouco provável hoje", afirmou um aliado. Em 2018, o governador Geraldo Alckmin também é um dos cotados para disputar a Presidência.

Cúpula. "A gente mal havia tirado um peso dos ombros, e vem FHC e coloca esse peso sobre a gente outra vez", lamentou o deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), trazendo a público a queixa que a cúpula tucana só ousou fazer nos bastidores. Preocupado com o impacto das declarações de FHC sobre o eleitorado paulistano, que não quer um candidato que faça da Prefeitura trampolim para projetos políticos futuros, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), procurou corrigir as palavras de FHC. "O que o presidente Fernando Henrique quis foi valorizar o perfil de prefeito que São Paulo terá. Ele com certeza não disse que Serra imagina, supõe ou prevê que não vá cumprir todos os dias de seu mandato."

A despeito do desconforto de seu grupo, que tanto festejara a declaração anterior em que FHC tratara o mineiro como o "candidato óbvio" do PSDB, Aécio não passou recibo. "Nenhum de nós, homens públicos, é dono do seu destino, por mais sinceras que sejam suas convicções", disse o senador, para quem não há "essa vinculação direta" entre 2012 e 2014. "Falta muito tempo e outros fatores irão influir", disse.

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